sábado, 25 de maio de 2013

Sales associate

Quantas vezes em nossas vidas realmente acreditamos em nós mesmos?
Quantos dias de nossa história levantamos cedo com o brilho no olhar e o objetivo de chegar mais perto de nós mesmos?
Chegar perto de si mesmo não é uma tarefa tão simples quanto parece, "todos temos que demais", temos que estudar, temos que trabalhar, temos que ser bons filhos, temos que ter um bom parceiro, temos que ser educados o tempo todo, temos que ser feliz? oi as pessoas não podem ter um minuto de tristeza sequer, as vezes essa "baboseira de felicidade me cansa", até mesmo porque o que faz uma pessoa feliz não é o que faz a outra , e temos que ser feliz do jeito de quem afinal?
Quando realmente decidimos ser quem queremos ser, mergulhar em cada milímetro de nós mesmos, conhecer nosso corpo a mágica de nossa alma, entramos em um "caminho sem volta" e nos tornamos completos afinal, mas as vezes para quem está de fora é estranho, esquisito, ou até louco....
Eu decidi que este ano eu faria as coisas diferentes, fui demitida e não quis recomeçar, primeiro porque não sabia o que queria fazer, segundo porque sabia que precisava do mundão, terceiro porque não queria ficar nessa cidade nesse momento, e desde essa minha escolha passei por coisas fantásticas, incríveis e chateações que sem brincadeira, mesmo sendo poucas ainda assim foram muito importantes e o ruim não foi tão ruim assim!
E isso é assim porque quando somos inteiros temos uma força extra, parecemos super herói.
E o que conto hoje começa quando um primo me convidou para participar de um processo seletivo para trabalhar em um navio, eu já tinha feito uma vez e desisti no meio, mas resolvi fazer de novo, mesmo eu ainda estando perdida naquele momento.
E as etapas foram sendo feitas, a primeira entrevista eu declinei, me chamaram de novo, dai sim fiz o processo todo que começou no final de fevereiro.
Quando eu passei na primeira entrevista que foi feita em inglês, percebi duas coisas, que eu dava conta mas que eu precisava ser melhor.
E assim me indicaram para o cargo de SALES ASSOCIATE, um jeito chique de falar vendedor de duty free dos navios, eu não escolhi o cargo, porque esse foi um momento minha vida como nunca teve esteve tão entregue nas mãos de Deus, e achei legal, ganhar em U$ para viajar, pobre só pode ver o mundo assim trabalhando muito.
Trabalhar de 9:00 as 0:00, ficar em pé, bater meta de vendas, falar inglês o tempo todo, morar em uma cabine pequena com estranho,  nem isso me desanimou, eu poderia descer na maioria dos portos, com autorização poderia assistir a shows, peças de teatro, me fascinou.
Eu não contei para quase ninguém da minha empreitada, porque quase todo mundo é do tipo que "formou-se em uma coisa tem que morrer fazendo aquilo", mas não eu não acredito nisso, acredito que temos que buscar a felicidade do que queremos naquele momento de nossas vidas, da forma que nos parecer mais completa possível.
E gente eu sou arquiteta e urbanista, amo minha profissão, mas preciso de me respeitar, preciso de um tempo, e por essa minha nova escolha sofri muita descriminação, quatro pessoas só me apoiaram, o resto falando que eu era doida, mas gente quem não sabia disso ainda? Me chamar de doida já disse aqui que é um elogio.
Pensem o quanto minha carga cultural, arquitetônica, pessoal vão aumentar.
O contrato é para seis meses, que garanto deve parecer anos.
Pois bem passei a estudar feito louca, dia e noite estudando inglês e italiano até que finalmente marcaram minha entrevista com a Companhia, dia 17/05 meu Deus só de ler o email me deu uma tremedeira.
Ai veio a bomba a dez dias antes da entrevista final, meu pai disse que não ficaria com o meu cachorro o Joe, que era para dar ele para os outros, aí "minha casinha caiu", eu chorei uma  noite inteira e a primeiro momento desisti.
Foi como se meu mundo tivesse acabado, eu estava vivendo há três meses uma realidade tão particular e minha, foi nesse meu íntimo que resolvi fazer o processo e "ver o que dava".
Gente peguei o avião, raspei o pouco de dinheiro que minha mãe me deu e fui pra São Paulo fazer essa bendita entrevista.
E o grande dia chegou, nossa um monte de pessoas, todas muito bem vestidas e elegantes parecendo executivos de alto escalão, a maioria falantes, pensei "lascou todo mundo aí já foi para o navio" e meu nervoso aumentou ainda mais.
Pois bem ao entrar na sala minha barriga e mãos gelaram, e o selecionador americano "destampou" a falar, e eu só pensava, nossa ainda bem que eu estudei, e fiz o curso avançado de inglês online, porque se tivesse vindo com meu inglês intermediário não daria conta nem de entender, quanto mais falar.
Para quem me conhece de verdade, sabe que sou louca para falar inglês fluentemente.
Adivinhem, era parte do processo dinâmicas de venda, ah que beleza, eu já odeio dinâmicas em português imagina em inglês, o dia todo só se falava em inglês, e assim participei, não sabia realmente como tinha me saído, pessoas com um inglês melhor do que o  meu, algumas com a vivencia de um "crew" mas mesmo assim fui para a casa que eu estava hospedada tranquila, pois fiz tudo, tudo mesmo o que podia, e só pedi o tempo todo para que Deus me capacitasse para o que fosse me fazer realmente feliz e melhor para todos que fossem ser alcançados pela minha escolha.
Naquele momento era esperar essa resposta, e esperei vivendo claro, olhei possibilidades de emprego em São Paulo, fiz companhia para o meu melhor amigo que iria se mudar para NY e de quebra tive um "affair" o qual jamais imaginaria e nem saberia que seria tão delicioso, sem contar que convivi com o "ex" numa boa.
E gente valeu demais a pena, foi tudo tão lindo, que nem minha super imaginação do fantástico mundo de Bob consegue descrever.
Mas quando deu quarta-feira, que já tinha quase uma semana da entrevista, eu comecei a angustiar, o resultado não saia, e eu comecei a atualizar meu email com mais frequência.
Na quinta finalmente saiu, e eu fui aprovada, gente quanta felicidade que tão poucas vezes senti.
Só eu sei o quanto de superação que tive que ter, tive que abrir mão de tantas coisas mesmo que só para o processo seletivo, que mesmo se eu não tivesse passado já teria muito valido a pena, meu inglês tava melhor, eu tinha aprendido um pouco de uma nova língua, e principalmente duas coisas; eu percebi que eu poderia fazer o que eu que quisesse e a outra é de que confiar de verdade em Deus tem o melhor para nós a resposta é certeira.
Bem ainda nem comemorei direito, voltei para Goiânia, estou achando tudo muito estranho aqui, mas agora inicia a etapa pré-embarque, com vistos, cursos, exames médicos....
Vamos combinar que ser contratada por uma das empresas do grupo Louis Vitton, tem o seu valor independente do seu querer, pessoas se importam com "títulos" não com vontades, então tudo bem, acho que esse "nome no meu currículo não pega mal".
Ainda não sei quando embarcarei, de onde partirei, nem qual cruzeiro farei, mas já estou numa alegria sem fim, e ansiosa para colocar o pé no mundão, e fazer da vida do navio um momento único, intenso, feliz, de crescimento.
E aposto que terei boas histórias para contar para vocês e meus netos.
Pois eu não deixei meus outros sonhos de lado, mas só interrompi para que pudesse me realizar um pouco mais como "Mundão" , ainda quero como coisas como a maioria quer, namorar, casar, ter meu negócio...
Vamos comigo a esse extraordinário desafio de ser uma SALES ASSOCIATE, já tenho orgulho e já estou muito feliz.
É acho que consigo viver em um "lar" desses.... (risos)
http://www.youtube.com/watch?v=dNpuiD3NIdk

terça-feira, 7 de maio de 2013

A primeira coisa bela


Parei tudo que estava fazendo e sentei aqui no chão da varanda do meu apartamento, lugar onde meu cachorro gosta muito de ficar, sábio ele, é um lugar muito gostoso.
Eu passo praticamente o ano inteiro reclamando do calor e quando o tempo dá uma "esfriadinha", porque em Goiânia é tão quente que se dá um vento saem todos os casacos do armário, é início do tempo frio, e é hora de senti-lo.
Que brisa mais incrível, sinto meus cabelos voarem nessa ventania me deixando mais despenteada que já estou.
As coisas mudaram tanto o sentido na minha vida, que as vezes olho no espelho e me pergunto quem sou.
Na minha luta pela  prática do silêncio descobri o quanto minha alma é barulhenta, quanta inquietação, quanto questionamento, quanta bobagem eu acumulei nesses meus 32 anos.
Será quantas vezes me perdi de mim mesma? Se é que um dia soube realmente quem fui.
Vejo tantas pessoas enxerem a boca pra dizer que são bem resolvidas, que a vida delas é "linda", e o pior que várias vezes isso me incomodou e me fez eu me questionar, mas só agora vejo que de uma maneira tão errônea, que pode provocar danos e dores tão bobas...
Quantos dias trabalhei 12 horas por dia durante 06 dias na semana? Trabalhar é fundamental, mas ter tempo para se entender, se descobrir, se aventurar também.
De quem ou do quê eu estava "me escondendo"?
Quantas vezes eu quis não fazer parte do "coro do contentes" e disse isso, mas de certa forma fui demais, principalmente quando vejo o quanto as vezes eu me desrespeitei para agradar alguém, para evitar discussão, ou quantas vezes discuti por coisas que não valiam o desgaste?
Me sinto uma adolescente, "não sei o que quero ser", mas porque todo mundo é tão maduro, ou pelo menos se esforça para parecer, que me sinto assim meio bobona.
Esse tempo está sendo fundamental, mas difícil, acordar e se dedicar a um sonho que pode nem acontecer, meses me preparando para um único dia que talvez faça toda a diferença, mas que talvez seja apenas mais um sonho.
Eu cansei de relutar contra minha alma tão questionadora, tão confusa, tão perdida, e tão incrivelmente apaixonada pelas pessoas, e resolvi entender e aceitar que a força maior que rege o universo, que eu chamo de Deus, é quem toma conta de tudo, claro sempre com a sapiência de nos ter dado o livre arbítrio.
As vezes nos revoltamos quando algo nos é tirado, quando algo não acontece, sem ao menos parar um instante para pensar que aquilo que acreditamos ser a salvação de nossas vidas, poderia ser nossa destruição.
Ainda sou insegura, eu disse insegura e não incrédula, e o medo ainda teima em me desafiar, em roubar pensamentos e energia que devem ser gastas para o bem, pois tudo que movemos para praticarmos a bondade, para mantermos em uma boa vibração volta melhor ainda.
Aonde eu estive esse tempo todo?
Quem sou?
Aonde quero ir?
Como devo fazer?
Com o que trabalhar?
Não acredito em felicidade de filmes, mas luto todos os dias para alcançar uma paz de espírito que ainda não encontrei, e sei que ainda não estou fazendo o que vim para fazer na terra, e nesses últimos tempos estou me concentrado em cumprir as tarefas que escolhi para me evoluir.
Chega de rebeldia inútil.
Existe um bem maior, um sentido maior, para que eu comprava tanta roupa? Para quê tanto sapato e bolsa?
Nossa para mim é uma vitória, meu último par de sapato foi comprado em novembro de 2012 e desde que me tornei independente nunca havia ficado tanto tempo sem comprar um sapatinho que fosse.
Porque andar só de carro? Porque nunca mais desde criança eu havia andado de bicicleta com o meu pai?
É as circunstâncias da vida juntamente com as consequências de minhas escolhas me forçaram a enxergar coisas que eu não via fazia tempo, que a cegueira do cotidiano, a busca incessante pelo "sucesso" me ofuscou, me cegou.
Não tenho nem um real na minha carteira, e se precisar de algo tenho que pegar o dinheiro da minha mãe, que é tão pequeno.
Não me sinto envergonhada, mas uma sensação de que eu deveria ter aproveitado melhor o meu potencial, meus sentimentos, minhas emoções, minhas oportunidades, meu tempo toma conta de mim nesse instante.
Não tenho conclusões consistentes, mas o fato de enxergar as dificuldades das pessoas que passam fome, é bonito né falar de fome no mundo, as pessoas que dormem na rua, a mim que dependo dos meus amigos para tomar uma cerveja no bar, andam me sensibilizando e fazendo valorizar os momentos e as pessoas como eu sempre deveria ter feito.
Não sou um somatório que se relata no imposto de renda, sou uma pessoa que tem coração e espírito , que quer viver o que realmente o que tem que ser vivido.
Acredito que tudo serviu de lição.
Mas se (re)inventar não é fácil, mas é necessário.
Estou amando não me reconhecer, não saber me definir, pois é isso que acredito estar me tornando melhor, viva de verdade, até que essas coisas dê lugar a outras, como  um novo emprego, um novo namorado....
Bom estou ficando com muito frio, acho que consegui descrever um pouco do que meus pensamentos estão gritando para mim mesma, me desculpe o dia do silêncio, já que não posso conversar com ninguém porque estou sozinha, resolvi escrever, estava precisando...
Ouçam essa música, diz um pouco disso tudo, de tempo perdido, de atitude, da primeira coisa bela...
http://letras.mus.br/malika-ayane/1621848/traducao.html
A primeira coisa bela, de cada segundo, de cada situação, tudo é belo depende de como se vê.


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