segunda-feira, 23 de junho de 2014

Que

"Que" - de mim pra mim.

Que eu não perca minha espontaneidade porque a convenção social me censura.
Que não perca minha originalidade pra responder ao desejo alheio.
Que o capitalismo que vivo não me transforme em escrava ou robô, e coisas do gênero .
Que o orgulho que sinto não seja exacerbado ao ponto de não saber distinguir o que realmente importa nas minhas relações, seja ela de que tipo for.
Que o trabalho tenha a importância que deva ter, que ele seja meu sustento e forma de satisfação profissional mais que ele não seja a única coisa que importe na minha vida.
Que eu continue me sentando no chão sem me importar com "o sujar da roupa" quem lava é a máquina.
Que eu não sinta vergonha de perguntar uma coisa que eu não saiba.
Que o medo não me torne uma refugiada da violência desmedida.
Que eu continue defendendo o que acredito ser verdade, mais que cada vez mais eu saiba respeitar a verdade alheia.
Que eu compreenda que a minha vida é corrida, a das outras também, e que ainda sim eu compreenda o valor de cuidar das pessoas que amo.
Que o dinheiro tenha importância que ele deva ter, e não que ele seja o que mais importa.
Que a minha liberdade seja cada vez mais consciente, livre e responsável.
Que cada vez mais eu saiba dizer sim/não na hora certa.
Que eu não aproveite o agora sem me esquecer do futuro, mais que o futuro esteja no seu devido tempo.
Que sonhar continue me estimulando.
Que eu aprecie cada pessoa que a vida me trouxe, e que aprecie ainda mais essas pessoas por mais tempo e que eu continue sendo grata por cada um.
Que eu saiba cada vez menos para ter vontade de aprender cada vez mais.
Que eu tenha tempo de ver a beleza de coisas como o céu, o mar.
Que eu não me torne ridícula em nenhum sentido, mesmo que "isso ou aquilo" seja da moda.
Que continue existindo tinta de cabelo para eu continuar loura.
Que o materialismo que eu tenho no meu ser diminua cada vez mais, sem que eu não seja hipócrita ao ponto de dizer que não gosto do luxo ou do conforto, porque eu gosto mesmo.
E falando em luxo e conforto, que eles sejam fruto do meu trabalho, mais que a minha honestidade não seja afetada jamais por estes adjetivos.
Que as pessoas parem de roubar, mais principalmente parem de roubar os cachorros dos seus donos, porque isso não é justo e é muito dolorido .
Que meu senso de justiça esteja guiado pelas mais Divinas.
Por mais banhos de chuva.
Por mais demonstrações de afeto e sentimento.
Que a linha tênue que me separa das pessoas desapareça.
Que eu ainda possa escrever um livro e plantar uma árvore .
Que eu aprenda a nadar.
Que eu saiba o valor de um "eu te amo" mesmo que ele seja dito de outra maneira, e por mais "eu te amo" ditos também.
Que eu possa ser feliz sempre, e que eu possa aprender com a tristeza, do pouco que ela apareça.
Que eu compreenda de verdade o valor de cuidar da minha saúde.
Que eu pare de beber.
E que toda minha força esteja Deus e que Deus esteja em mim, sempre.

domingo, 15 de junho de 2014

F5 da vida

Comigo não tem jeito.
Eu sou daquelas que acredita no amor.
E que vai continuar acreditando.
Daquelas que faz tudo que coração pede em nome do amado.
De todas as coisas que passei as mais belas foram proporcionadas pelo amor.
E também as mais doloridas.
É do amor que faz nascer os dias mais lindos, que faz da lua um espetáculo, entre outras coisas que me faz uma mulher melhor.
Não escolhemos quem amar, mas podemos escolher até quando deixar aquele amor nos infiltrar, modificar e permanecer.
As mais belas canções falam de amor.
Os poetas derramam sonetos em forma de amor escrito.
Hoje acordei me perguntando, há algo que se possa fazer para curar meu amor não correspondido?
Baladas, novas pessoas, bebidas são pura ilusão, isso já aprendi .
Não sei, alguém aí sabe?
No momento de uma desilusão amorosa só lembro das coisas boas, só sinto ainda mais a falta de cada coisa que o ser amado fazia pra mim.
Também porque acredito que mentalizar "coisas ruins" seja de quem for, de qualquer tipo de relação, não vale a pena, e não é o jeito saudável de curar a dor que se sente.
Chorar?
Talvez uma boa oração .
Há quem diga que não devemos olhar para trás, mais é quando olho pra "lá" que sinto conforto.
Já amei mais de uma vez, e mesmo assim ainda estou sozinha, e ser deixada, ou deixar nunca me "matou", mais quando relembro como eu era, não sinto nostalgia sinto força emergindo de tudo que ainda posso ser, o quão melhor eu posso ser.
Sinto esperanças e também relembro que cada vez que algo, ou alguém "sai" da minha vida, sou agraciada por "coisas e pessoas" ainda melhores.
É eu sou muito sortuda mesmo.
Mais sentir saudade amorosa não tem a menor graça .
Paro, reflito, respiro.
E não adianta fingir, tudo que eu queria era que ele estivesse aqui, mais como não será possível abro meu coração, escuto uma canção e ao longe da janela sinto alívio.
E meu sorriso volta.
E aos poucos tudo volta, com novas cores, novos sons.
Hei de um dia poder realmente poder dizer um eu te amo e ouvir a resposta com a mesma intensidade.
Agora o jeito é traçar nova rota, apertar o F5 da minha vida, aproveitar minhas férias minha família, meus amigos, dormir quando ser vontade, viajar para onde a alma pedir.
Daqui a pouco pego meu navio de novo para o Mundão .
É!...
Vai doer mais pouquinho, mais eu resisto!
Vou ali aproveitar essa vista linda, as pessoas incríveis que tenho ao meu redor.
Beijo, fui, me achem na internet porque aqui meu celular não pega.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

De volta

Uma semana, sete dias que deixei minha "casa flutuante".
Poucas coisas mudaram, as pessoas estão do mesmo jeito, fazendo as mesmas coisas, o transito está mais caótico, a cidade está mais violenta, e eu me sinto mais esquisita do que antes de sair.
Mais a culpa é minha, uma alma que nunca coube direito dentro de mim e dentro do meu ciclo, e depois que se libertou de vez penso que, ter que voltar de vez agora, seria desumano.
É difícil mudar tanto, tento me reconhecer dentro da cidade que me viu nascer, estive também na casa que morei por quinze anos, e juro que a sensação que tive foi como se eu nunca estivesse estado lá, e é assim que sinto com a maioria dos lugares que eu vou desde que cheguei.
Daqui que me faltou mesmo foi poucas pessoas, e quando eu estava longe sentia todas elas no meu coração, mais definitivamente não sinto falta de viver aqui.
Ah a nossa comida, isso sim é melhor do que me lembrava, e eu senti muito mais falta do que imaginei.
Hoje finalmente eu dirigi meu carro, e acredito que até agora foi o único momento que me senti mais perto de ser livre desde que cheguei.
Quando olho a janela do meu quarto, e vejo carros, as luzes das casas, sinto uma saudade dolorida da imensidão do mar.
Eu nunca tive medo do navio afundar, e pela a maioria do tempo eu me esquecia de que eu estava dentro de um.
Aqui tenho muitas pendências pessoais para resolver, até projeto de arquitetura para fazer.
É bom voltar.
Mas toda vez que saio do banheiro tenho cuidado para não esbarrar na vasilha do Joe, (Joe era o meu cachorro de estimação), dai me lembro de que ele não está, e jamais estará aqui, a angústia torna a voltar, e por ele penso que ainda vou chorar um mundo de lágrimas.
Por um momento ou o outro, sem querer, ainda fico esperando ele pular na beira da minha cama, penso o quanto ele ajudaria agora que sinto tanta saudade do Miguel, ai o Miguel, como vou me acostumar a viver sem ele de novo?
Dormíamos juntos, acordávamos juntos, trabalhávamos e comíamos juntos, como não sentir falta?
Ah o amor... Sobre isso é melhor nem falar agora.
Sim, eu decidi a voltar, voltar a ser "maruja" quando soube que o Joe não estaria mais aqui comigo, mas estando eu aqui de novo tenho certeza de que ter que esperar dois meses seria horrível, as pessoas contavam os dias para sair do navio e eu pelo jeito vou ser daquelas que conta os dias para voltar para ele.
Sinto falta de poucas pessoas do navio, o que sinto falta mesmo é de acordar cada dia em um lugar.
E enquanto o navio não vem estou aqui, recarregando a pilha de família, de amigos, aproveitando tudo que Deus está me dando de melhor, e consciente que mesmo que por um tempo eu preciso me readapta