domingo, 22 de setembro de 2013

Minha querida São Paulo

Todas as cores, texturas, espessuras.
Todas as formas de amar, de viver, de pensar.
Todas as religiões e formas de ver um Deus, muita proteção Divina e pouca fé.
Alguns trocam artesanato por comida.
Outros gratuitamente divulgam seu ideal de vida, veganos, vegetarianos, budistas.
Alguns sorriem, outros fumam, uma parte come.
Tem cego, surdo, mudo, cadeirante, e maioria de nós "andantes".
Baixo, alto, magro, gordo, bonitos e feios.
Todas as raças e também todas as nacionalidades, sotaques e idiomas, mostram nossa bela diversidade.
Missionários, visionários, ordinários, há de todos os tipos.
Ônibus, carro, motos e muitos pedestres.
Alguns trabalhando, outros se divertindo.
Enquanto alguns percebem a maioria transita.
Ricos, pobres, média classe.
Bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Encarnados e desencarnados.
Já estive aqui em tantas ocasiões, e o mesmo lugar já foi tão igual e tão diferente.
Aqui minha alma esquece os problemas e tudo é calma, sabedoria, transmutação.
Meu coração consegue bater compassado e descompassado ao mesmo tempo.
É também foi aqui que já dei muitas risadas mas também chorei.
Já vi o entardecer tantas vezes e também o amanhecer, hora com alegria hora com tristeza no olhar.
Me parece uma relação entre nós de outras vidas.
Somente aqui eu perco os sentidos e conjuntamente os sinto com mais sensibilidade, tato, olfato, paladar, visão e audição, as vezes desagradáveis, mais em sua maioria agradáveis.
Aqui sou mais feliz do que triste.
Aqui somente aqui, o que as vezes é parte de mim se torna inteira, me percebo, me encanto com o que vejo no espelho.
Sem dúvida é um caso de amor, paixão, admiração, é um pouco do que digo e faço para compreender minhas sensações.
Me fazes sentir, esperta, completa, capaz, forte, perspicaz, sagaz, talvez por isso torna esse elo ainda mais estreito.
És tu minha querida São Paulo, a única que consegue minha paz de espírito, minha integridade espiritual e corporal juntas.
Por toda esta tua capacidade de ser democrática, de sua liberdade de expressão do ser é que me torno ainda mais apaixonada.
Apenas aqui, sei que posso ser o que eu quiser, e meio que parafraseando, eu mais vôo do que tenho os pés no chão, e isso, principalmente pra esse momento, é tudo, que quero, que sinto, que desejo e que me explica.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mais uma da série: foi lindo

Então coisas improváveis acontecem comigo também, tão improváveis que nem meus loucos devaneios imaginariam tal acontecimento quanto mais tal desfecho.
Há quase um ano atrás eu conheci uma pessoa, mas eu namorava, não houve nada, senti que houve um certo interesse, apenas isso.
Algum tempo depois começamos a nos falar com mais frequência via internet (viva a tecnologia- tecnologia aproximando pessoas, as vezes afastando também, mais.....kkkkk) e era ele quem estava namorando desta vez.
A capital Paulistana nos proporcionou um encontro há quase três meses atrás, boa conversa, boa companhia, risadas, gestos que eu apreciei muito, e senti vontade de tê-lo ao meu lado.
Promessas, pedidos, desejos, também ocorreram ali, até um beijo roubado, só um!
Ele iria viajar, para um país inacreditável e perguntou o que eu queria, eu disse uma pedra, ele "uma pedra"? é de um lugar lindo, interessante só que tem que tirar uma foto.
Queria por tudo que eu fosse vê-lo, resgatar meus presentes, eu até disse que ia, mas não consegui cumprir minha palavra, poxa o cara estava namorando, então eu disse quando ficar solteiro me liga.
E assim aconteceu não muito tempo depois ele ficou solteiro me ligou, combinamos e eu fui ao seu encontro.
Deixei tudo ao cargo dele, o que íamos fazer, onde íamos nos divertir, comer, enfim, não para que eu pudesse me livrar da responsabilidade, mas como eu não o conhecia muito bem e sei da minha adaptabilidade prefiri que ele escolhesse.
Eu queria cozinhar para ele e não chegamos a um concensso.
Imaginei tantas coisas sobre ele, ele me mostrou um pouco do mundo dele, e enxerguei uma pessoa que tem um lado maluco, que gosta da natureza, passeios radicais, é muito inteligente e que entre outras coisas me encantaram.
Muitos dias me imaginei fazendo rapel com ele, tomando banho de cachoeira, com sorrisos, gestos, carinho e tudo mais que desse vontade.
Dias felizes, melhor referindo, nossos dias felizes e tão sonhados por nós dois chegaram, junto com imprevistos, carro quebrado, frio, chuva e algumas coisas dando errado e quebrando o encanto.
Não que eu seja a mulher destemida, mas não gosto muito de ficar sozinha esperando em um lugar estranho alguém que prometeu estar me esperando quando eu chegasse, é diferente de você saber que vai sozinha.
Me chatiei.
Mas tudo bem vamos lá, viriam mais alguns dias, eu respirei fundo e só o pedi que não me deixasse esperando de novo.
Ah chegou a hora do presente, e juro me surpreendi, uma fotografia linda dele com a pedra, com explicações do lugar que é incrível, histórico e minha pedra, ah gente aquela pedra.
Junto com a pedra vieram chocolates ,belga e africano, perfeitos, uma blusa que ele disse que o maniquim era "eu", e a blusa é linda a minha cara, se eu tivesse lá provavelmente eu a teria comprado.
Eu ainda sou do tipo boba, que gosta de coisas delicadas, de cuidado, carinho, coisas escritas a mão.
Fiquei tão feliz, e mais coisas passaram pela minha cabeça, bons sentimentos, e momentos inacreditáveis, vieram em seguida.
Saímos, bebemos, conversamos, namoramos, tudo lindo.
E em algum momento começamos a nos desentender, a nos perdermos, sabe quando um quer uma coisa e o outro não, então criancisse das duas partes, porém nem sei explicar direito o que aconteceu.
As coisas perderam um pouco o brilho, já não me sentia a vontade para tirar foto (coisa que amo principamente e bons momentos e lugares novos), já ficava incomodada na hora de escolher o que comer, o que vestir e o pior parecia que eu já não era mais tão espontânea, natural, e quando eu não sou eu geralmente não dá muito certo.
A tão linda cidade de Visconde de Mauá não nos viu juntos, não entendi direito o que houve, se já estava planejado, mais a frustação maior não foi não ir, foi não saber porque, homens que estiverem lendo isso, mulheres são "movidas a explicações".
Então tínhamos São Paulo no outro dia, quatro horas de viagem e nem uma palavra dele, eu só pensava, "tem algo errado, que será que eu fiz" ? Até hoje estou sem saber.
Chegamos ao hotel, comemos, tiramos um cochilo e era hora do teatro, uma correria porque era longe deixou o nosso ar ainda mais pesado.
A peça ilária, rimos o tempo todo, mais depois de tantas risadas o humor não o contaminou.
Eu então desisti.
Discutimos nem eu sei direito porque, mas foi aonde paramos para comer, ele disse que disse uma coisa e eu entendi outra, mas naquele momento tudo desmoronou, eu o vi partir, mesmo que ele um pouco depois ele estava ali frente a frente comigo de novo.
Fui embora, um bilhete de despedida que eu deixei, nem um beijo, um abraço, um muito obrigada com carinho houve, só aquele bilhete infeliz...
Eu estava chateada, decepcionada, e para não brigar e ficar com as boas lembranças decidi me retirar, me ausentar.
Não houve uma conversa consistente, não se conversa essas coisas por internet, e também ninguém deu o braço a torcer, um passo a frente para realmente resolver, e ficou o dito pelo não dito.
Eu acho que o mínimo seria uma despedida digna.
As vezes as coisas que acontecem que nos pegam desprevenidos nos mudam para sempre, tanta coisa aconteceu que eu nem voltei pra minha cidade, e cá estou na "solitária" São Paulo, sem data e vontade de voltar, para o que eu chamo de minha casa.
Eu  sei ele é doido, mais eu também o sou, não entendi e não sei se quero entender, mas o fato é que estou sentindo um vazio ruim, uma saudade que eu não sabia que eu sentiria, um arrependimento de coisas que não fiz mas que nem sei direito o que.
Talvez essa minha vontade de ter alguém ao meu lado me atrapalhe, pois são expectativas demais.
Talvez minha indecisão profissional também.
Mas ontem quando peguei a pedra e percebi que ela tinha um formato de coração, eu mesmo sem saber se ele percebeu, meu coração doeu, minha alma chorou.

Pareceu tudo novela mexicana, mas foi minha vida gente, e a tristeza se fez presente.
Foi ruim, principalmente o final da história, não que eu achasse que eu fosse me casar com ele, nada disso, mas achei que seria diferente, e só um tema lindo na minha vida.
É o Biquini Cavadão nunca mais será o mesmo, depois de tanto ouvi-lo com você.
E esta  foi mais uma história da minha da série, foi lindo!
E como não consigo me expressar mais, o que posso dizer é, obrigada lindo, era assim que eu o chamava.

domingo, 1 de setembro de 2013

Crônica de agradecimento

Eis que mais um ciclo maluco de minha vida se finaliza.
Ficam tantas coisas pra serem ditas, tantas lembranças para serem guardadas, tantos agradecimentos a Deus e a tantas pessoas que vai ser um texto difícil de compor de maneira que expresse pelo menos um pouco do que senti, do que eu aprendi.
Estamos tão acostumados a julgar as pessoas que antes de pensar, observar julgamos, e claro eu infelizmente ainda faço isso, é uma luta diária deixar de julgar.
Julguei sim antes de aceitar o convite pra vir para Morrinhos trabalhar na nova empresa deles por um tempo, mas a verdade é que inconscientemente temos o hábito de ver a vida alheia sobre a nossa ótica, grande erro.
Compreender e aceitar as pessoas do jeito que são sem um pré-conceito é uma das coisas mais difíceis na minha luta para me tornar um ser humano melhor, mas a consciência da importância tem me ajudado.
Pois bem, aceitei, vim trabalhar em uma empresa de crepe e tapioca, sem nunca ter feito nenhum dos dois, para ganhar pouco, e a minha função: faz tudo.
Aceitei porque achava que eu precisava romper com meu orgulho, porque poderia aprender novas coisas, porque estou "perdida" profissionalmente, porque ficaria mais perto de pessoas que amo, principalmente da minha afilhada que é o bebê mais lindo do mundo!
Tiveram outras coisas que me fizeram aceitar, como o conselho do Boi (meu melhor amigo), meu sexto sentido falando que eu tinha que aceitar, e também por superação, porque isso com certeza eu teria que ter para conseguir.
Preferi enxergar que seria um preparatório para o navio, se é que eu ainda vou, mas isso eu conto em um outro texto, e ainda receberia "uns trocados", ótimo "simbora."
Limpar chão, lavar louça, servir pessoas, fazer crepe, fazer tapioca, cortar carne, ralar mussarela, lixar chapa, foram algumas das minhas atividades nesse mês.
Trabalhei de segunda a segunda, com apenas algumas horas de folga, e isso é muito cansativo.
Uma carga horária nem tão alta, de oito a doze horas por dia, dependeu do dia, mas um serviço totalmente diferente do que eu estava acostumada a fazer, e nos primeiros dias um cansaço do tamanho do universo, mas do corpo e não do psicológico.
Senti na pele várias coisas que tinha ouvido falar de quem trabalha em uma cozinha, e sem dúvida meu respeito e admiração por essas pessoas aumentaram ainda mais.
Eu amo cozinhar e acredito que este trabalho pode influenciar em minhas decisões no futuro.
Dormir no chão e na sala, montar e desmontar a cama todo dia, fazer academia mas não poder correr, andar somente a pé, ficar em pé por muitas horas, entre outras coisas foi um pouco desta minha aventura.
Dissabor, quase nenhum, um trabalho que me deu 99% de satisfação e o restante de insatisfação.
O trabalho que foi menor remunerado que fiz até hoje, mais uma vida tão tranquila como poucas vezes eu tive, leveza, alegria na alma, prazer de trabalhar...
Ah e ficar perto da pequena Sofia, não tem nem como descrever, não tem dinheiro que pague, e não terá nada que suprirá minha saudade.
É foi ruim ficar longe do meu colchão, de algumas pessoas, do Joe, mas confesso também que em momento algum senti saudades da cidade que nasci, ah Goiânia, me desculpe por isso.
Meus sentimentos foram ótimos, minha alma se aquietou, embora minha mão, minhas unhas, meus cabelos estejam um desastre kkkkkkkkk.
Aprendi que, "tem gente que é mais doida que gato no saco", que "galinha que acompanha pato morre afogada" e que em muita das vezes somos "a inteligência pura".
Mas agora é hora de partir mais uma vez, de continuar a minha caminhada, pisar sem sentir o chão, é voar sem asas, é isso que quero para mim, sei que virão dias difíceis, de decisões importantes que mudarão meu destino para sempre, adiei até onde pude para tomá-las, mas a força que ganhei nesses dias e o fortalecimento também da minha fé, me deixam pronta para passar por isso.
A todos envolvidos no processo, aquele abraço de muito obrigada, pelos ensinamentos, pelos sorrisos, pelas conversas, e que Deus retribua tudo esse sentimento maravilhoso que está dentro de mim com realizações para vocês.
Não é um adeus, um até logo.
É uma crônica de agradecimento.
Obrigada a todos e todas, obrigada Pai.