Uma semana, sete dias que deixei minha "casa flutuante".Poucas coisas mudaram, as pessoas estão do mesmo jeito, fazendo as mesmas coisas, o transito está mais caótico, a cidade está mais violenta, e eu me sinto mais esquisita do que antes de sair.
Mais a culpa é minha, uma alma que nunca coube direito dentro de mim e dentro do meu ciclo, e depois que se libertou de vez penso que, ter que voltar de vez agora, seria desumano.
É difícil mudar tanto, tento me reconhecer dentro da cidade que me viu nascer, estive também na casa que morei por quinze anos, e juro que a sensação que tive foi como se eu nunca estivesse estado lá, e é assim que sinto com a maioria dos lugares que eu vou desde que cheguei.
Daqui que me faltou mesmo foi poucas pessoas, e quando eu estava longe sentia todas elas no meu coração, mais definitivamente não sinto falta de viver aqui.
Ah a nossa comida, isso sim é melhor do que me lembrava, e eu senti muito mais falta do que imaginei.
Hoje finalmente eu dirigi meu carro, e acredito que até agora foi o único momento que me senti mais perto de ser livre desde que cheguei.
Quando olho a janela do meu quarto, e vejo carros, as luzes das casas, sinto uma saudade dolorida da imensidão do mar.
Eu nunca tive medo do navio afundar, e pela a maioria do tempo eu me esquecia de que eu estava dentro de um.
Aqui tenho muitas pendências pessoais para resolver, até projeto de arquitetura para fazer.
É bom voltar.
Mas toda vez que saio do banheiro tenho cuidado para não esbarrar na vasilha do Joe, (Joe era o meu cachorro de estimação), dai me lembro de que ele não está, e jamais estará aqui, a angústia torna a voltar, e por ele penso que ainda vou chorar um mundo de lágrimas.
Por um momento ou o outro, sem querer, ainda fico esperando ele pular na beira da minha cama, penso o quanto ele ajudaria agora que sinto tanta saudade do Miguel, ai o Miguel, como vou me acostumar a viver sem ele de novo?
Dormíamos juntos, acordávamos juntos, trabalhávamos e comíamos juntos, como não sentir falta?
Ah o amor... Sobre isso é melhor nem falar agora.
Sim, eu decidi a voltar, voltar a ser "maruja" quando soube que o Joe não estaria mais aqui comigo, mas estando eu aqui de novo tenho certeza de que ter que esperar dois meses seria horrível, as pessoas contavam os dias para sair do navio e eu pelo jeito vou ser daquelas que conta os dias para voltar para ele.
Sinto falta de poucas pessoas do navio, o que sinto falta mesmo é de acordar cada dia em um lugar.
E enquanto o navio não vem estou aqui, recarregando a pilha de família, de amigos, aproveitando tudo que Deus está me dando de melhor, e consciente que mesmo que por um tempo eu preciso me readapta
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