Parei tudo que estava fazendo e sentei aqui no chão da varanda do meu apartamento, lugar onde meu cachorro gosta muito de ficar, sábio ele, é um lugar muito gostoso.
Eu passo praticamente o ano inteiro reclamando do calor e quando o tempo dá uma "esfriadinha", porque em Goiânia é tão quente que se dá um vento saem todos os casacos do armário, é início do tempo frio, e é hora de senti-lo.
Que brisa mais incrível, sinto meus cabelos voarem nessa ventania me deixando mais despenteada que já estou.
As coisas mudaram tanto o sentido na minha vida, que as vezes olho no espelho e me pergunto quem sou.
Na minha luta pela prática do silêncio descobri o quanto minha alma é barulhenta, quanta inquietação, quanto questionamento, quanta bobagem eu acumulei nesses meus 32 anos.
Será quantas vezes me perdi de mim mesma? Se é que um dia soube realmente quem fui.
Vejo tantas pessoas enxerem a boca pra dizer que são bem resolvidas, que a vida delas é "linda", e o pior que várias vezes isso me incomodou e me fez eu me questionar, mas só agora vejo que de uma maneira tão errônea, que pode provocar danos e dores tão bobas...
Quantos dias trabalhei 12 horas por dia durante 06 dias na semana? Trabalhar é fundamental, mas ter tempo para se entender, se descobrir, se aventurar também.
De quem ou do quê eu estava "me escondendo"?
Quantas vezes eu quis não fazer parte do "coro do contentes" e disse isso, mas de certa forma fui demais, principalmente quando vejo o quanto as vezes eu me desrespeitei para agradar alguém, para evitar discussão, ou quantas vezes discuti por coisas que não valiam o desgaste?
Me sinto uma adolescente, "não sei o que quero ser", mas porque todo mundo é tão maduro, ou pelo menos se esforça para parecer, que me sinto assim meio bobona.
Esse tempo está sendo fundamental, mas difícil, acordar e se dedicar a um sonho que pode nem acontecer, meses me preparando para um único dia que talvez faça toda a diferença, mas que talvez seja apenas mais um sonho.
Eu cansei de relutar contra minha alma tão questionadora, tão confusa, tão perdida, e tão incrivelmente apaixonada pelas pessoas, e resolvi entender e aceitar que a força maior que rege o universo, que eu chamo de Deus, é quem toma conta de tudo, claro sempre com a sapiência de nos ter dado o livre arbítrio.
As vezes nos revoltamos quando algo nos é tirado, quando algo não acontece, sem ao menos parar um instante para pensar que aquilo que acreditamos ser a salvação de nossas vidas, poderia ser nossa destruição.
Ainda sou insegura, eu disse insegura e não incrédula, e o medo ainda teima em me desafiar, em roubar pensamentos e energia que devem ser gastas para o bem, pois tudo que movemos para praticarmos a bondade, para mantermos em uma boa vibração volta melhor ainda.
Aonde eu estive esse tempo todo?
Quem sou?
Aonde quero ir?
Como devo fazer?
Com o que trabalhar?
Não acredito em felicidade de filmes, mas luto todos os dias para alcançar uma paz de espírito que ainda não encontrei, e sei que ainda não estou fazendo o que vim para fazer na terra, e nesses últimos tempos estou me concentrado em cumprir as tarefas que escolhi para me evoluir.
Chega de rebeldia inútil.
Existe um bem maior, um sentido maior, para que eu comprava tanta roupa? Para quê tanto sapato e bolsa?
Nossa para mim é uma vitória, meu último par de sapato foi comprado em novembro de 2012 e desde que me tornei independente nunca havia ficado tanto tempo sem comprar um sapatinho que fosse.
Porque andar só de carro? Porque nunca mais desde criança eu havia andado de bicicleta com o meu pai?
É as circunstâncias da vida juntamente com as consequências de minhas escolhas me forçaram a enxergar coisas que eu não via fazia tempo, que a cegueira do cotidiano, a busca incessante pelo "sucesso" me ofuscou, me cegou.
Não tenho nem um real na minha carteira, e se precisar de algo tenho que pegar o dinheiro da minha mãe, que é tão pequeno.
Não me sinto envergonhada, mas uma sensação de que eu deveria ter aproveitado melhor o meu potencial, meus sentimentos, minhas emoções, minhas oportunidades, meu tempo toma conta de mim nesse instante.
Não tenho conclusões consistentes, mas o fato de enxergar as dificuldades das pessoas que passam fome, é bonito né falar de fome no mundo, as pessoas que dormem na rua, a mim que dependo dos meus amigos para tomar uma cerveja no bar, andam me sensibilizando e fazendo valorizar os momentos e as pessoas como eu sempre deveria ter feito.Não sou um somatório que se relata no imposto de renda, sou uma pessoa que tem coração e espírito , que quer viver o que realmente o que tem que ser vivido.
Acredito que tudo serviu de lição.
Mas se (re)inventar não é fácil, mas é necessário.
Estou amando não me reconhecer, não saber me definir, pois é isso que acredito estar me tornando melhor, viva de verdade, até que essas coisas dê lugar a outras, como um novo emprego, um novo namorado....
Bom estou ficando com muito frio, acho que consegui descrever um pouco do que meus pensamentos estão gritando para mim mesma, me desculpe o dia do silêncio, já que não posso conversar com ninguém porque estou sozinha, resolvi escrever, estava precisando...
Ouçam essa música, diz um pouco disso tudo, de tempo perdido, de atitude, da primeira coisa bela...
http://letras.mus.br/malika-ayane/1621848/traducao.html
A primeira coisa bela, de cada segundo, de cada situação, tudo é belo depende de como se vê.
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