Caso você nunca tenha lido nada no meu blog vou dar algumas instruções rápidas sobre quem sou: meu nome é Danilla, tenho 32 anos, sou arquiteta e urbanista por formação, não tenho namorado, gosto de cozinhar, amo viajar, sou espiritualista que segue o básico da doutrina espírita, e moro com meus pais, e isso é sobre o que quero falar hoje.
Maior parte da minha vida morei com a minha família e família ao meu ver é sinônimo de tanta coisa, mas eu me atrevo a resumir em duas coisas: relação amor x ódio e segurança.
Eu não tenho a menor vergonha em falar que moro com meus pais, mas porque isso é uma escolha minha, até mesmo porque somos tradicionais de um país em que a maioria não sai de casa enquanto não casa.
Sim sempre usamos de referência o que nos é de fora, então vamos lá, no exterior de maneira geral, as pessoas saem de casa bem jovens, enquanto que no Brasil saímos de casa bem mais velhos.
Mas eu estou longe de ser uma antropóloga, uma socióloga entre muitas outras coisas para entender a real raiz dessas diferenças.
A verdade é que se o mundo, as pessoas, os lugares não fossem constituídos de diferenças penso que seria tudo uma tremenda "pasmaceira", uma chatice das grandes.
Então já que não tenho conhecimentos para explorar como deveria, resolvi dividir a particularidade de minha história, e sim ufa, é impar.
Eu luto para não ser igual, mas não apenas para falar que sou diferente, mas para ter liberdade de expressão sobre o que sinto, sobre o que penso, sobre o que quero ser, sobre o que sou até o que fui, pois o que fui ensina mais do que os sonhos do que quero ser.
E acredito que consegui, e por algum momento até sofri por isso, mas sou feliz na minha maneira "eu de ser".
Voltando ao assunto de morar com os pais, eu sou feliz assim agora.
Aliás as pessoas deveriam se preocupar mais com o agora, e não com outros tempos.
Eu já morei sozinha, fui muito feliz, e poderia estar lá sozinha até hoje.
Foi incrível eu aprendi tanto e vivi momentos de alegria e dor extrema que só eu mesma sou capaz de entender.
Sozinha com certeza eu tive que fazer coisas que jamais faria se tivesse com a minha família, porque além de morar sozinha, fui morar em uma cidade em que só conhecia duas pessoas, uma amiga e um ex-namorado.
E essa nova vida foi um acúmulo de situações novas de vida, recém-formada, sonhos, ambições e muitos outros sentimentos que eu só tinha visto no dicionário.
E diga-se de passagem, ninguém nunca me deu um real nem para mudar e nem para pagar nada de minhas contas, pois tem muita gente que sai da casa dos pais e é sustentada por eles, e isso para mim nunca fez sentido, morar sozinha significa fazer tudo sozinha, inclusive pagar as contas, mesmo que seja para estudar, e isso era tão forte em mim, que na minha época de vestibular nunca fiz para longe porque sair da casa do pai, mas ser mantida por ele nunca iria significar a liberdade que eu sempre pensava ter quando pensava em sair da casa deles.
Aliás uma vida de "dicionário",a maioria da realidade das pessoas.
Se eu contasse essa história a um ano, a dois, ou a três com certeza o texto seria outro, somos "metamorfoses ambulantes", pois a visão do que acontece ou aconteceu muda conforme estão nossos pensamentos, sentimentos.
Eu voltei para casa dos meus pais porque não estava bem, e logo depois fiquei muito mais doente, acredito sim que foi a mudança de volta para casa a gota d'água para eu ter caído em uma depressão profunda.
Sair da casa dos pais e voltar eu acredito ser uma coisa muito difícil, e nunca esteve nos meus planos, e novamente digo, só sabe quem já passou, é o seu "novo você que tem que lidar com o novo eles", discussões, invasão de privacidade, diferenças e a real noção para eles de que "a filhinha" cresceu torna o processo muito pior.
Eu já voltei, e já sai de novo e voltei para casa deles de novo.
Quando eu sai de casa, mas na mesma cidade dessa vez, a convivência estava impossível, pois não nos tolerávamos.
Ter depressão é uma coisa muito ruim, muito mesmo, não desejo a ninguém, mas esta doença trouxe muito ensinamento para mim e para toda minha família.
Acredito sim que muitas pessoas moram com os pais pela comodidade, para sobrar mais grana, e poderem "ser essa classe média" que viaja, troca de carro, que vive no "coro dos contentes".
Toda viagem que fiz eu que paguei, o meu carro troquei porque fazia uma viagem por semana sozinha e precisava de segurança, e para essas viagens eram para uma pós graduação em outro estado, já que eu não gastava dinheiro com aluguel eu poderia me dar a esse "luxo", e hoje tudo mudou, estou desempregada na casa dos meus pais novamente e dependente igual quando era uma adolescente.
Mas honestamente saibam que isto é uma escolha, eu sou indecisa quanto ao que eu quero ser como profissional, eu não gosto da cidade que moro mesmo tendo nascido aqui, puro simplesmente por não me sentir bem por achar que os recursos intelectuais e culturais são escassos, e por eu ser mesmo uma esquisita aqui, e quero sair,talvez se tivesse aceitado passar antes pelo que estou passando agora tudo seria diferente, e a verdade é que o que temos que passar acontece de qualquer jeito, cedo ou tarde.
Eu quero sair, mas preciso ser objetiva, ser realista, com 20 e poucos anos você muda de cidade apenas com R$400,00 no bolso sem medo nenhum, e até sem carro, mas com 30 e poucos a situação é diferente, e se não fosse algo mal significaria, poxa a pessoa passa por dez anos da vida e não aprende nada?
Sim eu vou ficar com eles até eu ter certeza do que quero, saber porque e para onde mudar, eu não deixo o carinho deles, a minha sobrinha que só tem dois meses e é uma alegria em minha vida inexplicável, e nem a segurança que eles dão e até mesmo o aluguel que me dispensam de pagar, se não valer a pena.
Ficar sozinho é bom, mas precisa de muito equilíbrio.
Muitas coisas mudaram de valor nessa minha década.
Para mim não é importante mudar por mudar, tem que valer a pena, para ser mais feliz, para crescer, foi se o tempo em que eu não "calculava" as coisas, mudar para ganhar um salário maior não é o objetivo, pois ganha mais e gasta bem mais, além de ficar sozinha, mudar é para crescer mais, é ir em busca do "onde se está tem que melhorar".
Se eu vou ficar com eles até me casar não sei, porque por aqui onde eu moro a maioria das mulheres da minha idade já saíram da casa dos pais, para a casa dos maridos, esse também nunca foi o meu objetivo.
E te garanto que sair de casa talvez seja mais fácil no sentindo de tentarem todos juntos crescer, aprenderem a se respeitar, acredito que uma pessoa não deve ser respeitada só pelo dinheiro, ou por morarem separadas, devem se respeitar morando debaixo do mesmo teto, respeitando opiniões, escolhas, individualidades, separando espaço é muito mais fácil, somo humanos e a lei do "eu estou pagando isso daqui, então quem manda aqui sou eu" ainda é muito forte.
Sou a favor da liberdade de escolha,aqui em casa temos que nos "tolerar" e isso nos tornou uma família mais forte, mais unida, mais feliz do que quando eu morava num canto, meu irmão em outro, aprendemos a ajudar na fraqueza de cada um, ainda temos diferenças e vamos ter para sempre, mas o fato é que por ser maioria, a filha balsaquiana que mora com a mamãe, não significa que sou, somos, iguais.
Ter status não me representa, e nunca vai representar, até mesmo porque eu tenho direitos, vontades, minhas verdades que são indispensáveis, e não é uma explicação , mas a vida não é feita de "regras", leis é um outro assunto, agora regras para o sentido amplo que tem a nossa vida, eu não sigo mesmo,e isto é assunto para mais alguns posts, (risos) mais na frente, e por enquanto, acho que talvez você esteja lendo isso tenha entendido, e que possam aprender alguma coisa com a minha história, porque por enquanto


eu ainda moro com papai e mamãe.