quinta-feira, 29 de maio de 2014

365 dias depois

Há um ano eu receberia a noticia que estava por mudar toda minha vida; aprovada para trabalhar no navio como sales associate.
Eu já escrevi um pouco sobre esse processo, mas o que vivi desde que coloquei os pés nesse navio é bem difícil de descrever.
Posso continuar registrando que tudo é muito diferente do que eu imaginava, e felizmente, tudo é bem melhor.
Tudo começa com trainings, regras, avaliações, drill.
Tem nova língua, novas pessoas, novo jeito de se viver, digo, vou para o trabalho a pé e pego no máximo engarrafamento de elevador.
Aqui ninguém chinga no trânsito, não tem batida, não tem assalto.
Mas aqui não se pode correr no corredor, não pode chegar um minuto atrasado, e se surtar tem que voltar pra casa nadando.
Eu posso dizer que uma expressão cabe bem para demonstrar o amadurecimento das pessoas, "aqui é onde o filho chora e a mãe não vê"!
Isso também é diferente do que eu pensei, achei que eu ia chorar bem mais, e penso que é porque me adaptei bem, e sou feliz demais desde o primeiro dia.
São culturas diferentes seguindo as mesmas leis, e aí você descobre que europeu é culto mais não é do tanto que falam, descobre que eles são muito "porcos", pasmem eles assoam o nariz na mesa quando estão almoçando, e fedidos também, pois não tem perfume "francês" que dê jeito.
Percebo que aqui como a grande maioria está longe de casa e dos laços de sangue e sociedade, somos "pessoas" mais libertas.
Sim, a putaria é gigante, e acho que nem é tão diferente do mundo real (isso é como chamo o mundo fora do navio), pois cada um de nós sempre podemos escolher a "libertinagem" ou não, aonde quer que formos.
Mas não há espaço para moralismo ou falso moralismo, pois trata de seres humanos (confesso que as vezes meio robôs) e algumas características que possuímos independe do meio, mas tudo bem não é o momento de filosofar.
Aqui é uma oportunidade perfeita para meninas virarem mulheres, moleques virarem homens,e ainda assim tem gente que só absorve coisas ruins.
Eu acho muito louco imaginar essa "pequena cidade" nos mares desse nosso Mundão.
Eu vim com alguns objetivos, e já atingi todos e me sinto muito feliz e realizada por isso .
Vivi coisas ruins, mais posso dizer que 95% foram momentos incríveis, inesquecíveis.
Tatuei no meu corpo a tentativa de expressar a importância de tudo isso e ainda tiveram mais duas malucas que compartilharam esta ideia.
E estas duas mulheres sensacionais, a Beatriz e a Viviane, acredito sim serem pessoas para o resto de minha vida, mesmo que em historias a serem contadas, foram presentes de Deus na minha vida.
Me apaixonei, de uma maneira que jamais imaginei, e passei a amar uma pessoa muito diferente "do meu padrão", pois ele é muito melhor do que aquele julgamento que fiz dele a primeiro momento.
Sobre esse amor ainda não sei rumos, mais está lindo enquanto está durando, ele me faz mais feliz, me faz eu me sentir mais forte e equilibrada, e pega na minha mão quando eu tenho medo e me diz "calma você vai conseguir".
Se eu disser que não quero que continue é mentira, mas deixo as mãos Divinas, que seja o melhor para todos envolvidos.
Sei que meu pai pouco ja ouviu falar sobre ele, mais disse que já gosta dele e manda abraço ?! Eu heim.
Sinto me estranha, com muita vontade de ir embora, mais parece que já sinto saudade desse jeito "crew" de ser.
Aprendi tudo que não devo fazer como gerente, e um pouco do que devo fazer se eu quiser liderar sem ter que "gritar".
Daqui alguns dias entro no avião para ir pra "casa", mais tenho minhas dúvidas se lá é minha casa mesmo, falo isso porque acredito que lar "é o lugar onde nossa alma sente paz de espírito dia e noite", e eu vim com uma dúvida e estou voltando com ela "o que quero ser quando crescer", mais vivi dias fascinantes, sim da pra encher a boca e se dizer que é feliz e ser de verdade, e eu sou do Mundão mesmo.
Quando se está em uma realidade tão diferente, como a que vivo agora, é mais fácil perceber que a sua família é o bem mais precioso que se tem, que mesmo longe se ama incondicionalmente, e que sem eles não teria sentido, ter "alguém pra quem voltar" é que dá sentido ao "ir"!
E assim vou aos poucos contando do que vi desse Mundão.
Beijomeliga, ah é, porque daqui alguns dias já podem me ligar kkkk porque meu celular voltará a pegar !

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Para

Para meus amados um beijo e uma saudade que só faz aumentar o meu amor.
Para minha saudade intensidade.
Para minha felicidade que transborda, que ela não pare.
Para minha carreira de arquiteta mais uma vez espera, e uma paixão que não tem fim.
Para minha saúde cuidado sempre.
Para meu cachorro cuidado e carinho especial de pessoas especiais e muita saudade.
Para minha vida marítima um agradecimento especial a Deus e palavras que não consigo escrever como me sinto com relação a isso.
Para meu novo amor, cada dia mais amor, meu calor, meu carinho, dedicação, admiração e uma intensidade sem preocupação com tempo e/ou qualquer outra coisa.
Para o Mundão, ah para esse todo meu dinheiro, minha identidade, minha paz de espírito.
Para os que me decepcionaram minhas orações.
Para quem eu magoei, feri, machuquei meus sinceros pedidos de desculpas.
Para tudo isso e todas as outras coisas um eu cada vez mais inteira, madura, alegre, intensa e todo desejo de que eu sempre tenha tudo de bom que houver nessa vida.

domingo, 16 de março de 2014

Mundão pra sempre

Até parece que foi ontem que sai do aeroporto de Brasília e deixei pra trás todos meus bem mais preciosos com uma dor e medo indescritível, mas com uma força que nem eu sabia que eu tinha.
Eu sempre acreditei que Deus nos dá o que precisamos e também a cruz que conseguimos carregar.
Nunca esquecerei de tantas coisas que senti, tantas novidades, coisas que eu nunca imaginei que existissem, bem como lugares, e pessoas.
É acho mesmo que vou escrever um livro.
Outros países, outras culturas, novas regras e "modus vivendis".
Acabou a temporada brasileira e lá vai eu para o segundo crossing da minha vida.
Ah eu me lembro também que a vida do navio era como um oráculo, assim que eu cheguei, e três meses depois meus a bordo é como se praticamente meus trinta e três anos sim fosse um oráculo, e muitas das vezes sinto como se eu tivesse nascido pra viver e ter a vida que ando tendo.
Ah e ainda tem ele, mas sobre isso escrevo depois com mais calma, mais sem dúvida é a maior e melhor surpresa que já tive, e que já me fez romper com muitos dos meus paradigmas e isso eu adoro.
Mais honestamente eu jamais imaginei que fosse possível atingir esse grau de felicidade, e como alguém já escreveu que tem "haver com o tamanho da liberdade do coração", agora entendi de verdade.
Simbora hora de voltar pra Europa, e agora Mundão no corpo tatuado, e na alma, pra sempre.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Dia de 33

Fazer aniversario para mim não é só aumentar idade, fazer festas, ou ganhar presentes.
É um momento ideal pra fazer um balanço; de si mesmo para consigo e também para com os outros.
Avaliar planos, metas, objetivos, estejam eles atingidos ou não .
É principalmente momento de agradecer, a vida, a família, aos amigos e ao grande Deus.
Eu não acredito em horóscopo, mas acredito na conjunção das energias do universo e sim acho que nos dias do nosso aniversário não são melhores momentos de grandes decisões.
Hoje com 33 anos jamais imaginaria estar dentro de um navio em Punta del Leste.
Me sinto feliz, embora sinta muita saudade de algumas pessoas, mas juro que a distancia não tira de dentro de mim o carinho, o amor que tenho no coração, e ainda assim os sinto perto de mim.
É verdade que eu fui em um bom salão em Buenos Aires pra ficar bonita pra esta data, mas minha principal beleza vem de dentro, vem do encontro de mim mesma e uma paz de espírito que tão poucas vezes senti.
Olhar para frente, sonhar com mais muitos anos de vida, perceber quem estou me tornando ao longo desses anos compreendo que não agrada a tantos, mais mostra aos queridos e aos que valem a pena que eu cresci, que me torno cada dia um ser humano melhor, e antes que o papo fique filosófico demais vou mudar de assunto.
Oi, me chamo Danilla tenho 33 anos trabalho para uma empresa do grupo Louis Vitton como sales attendant, sou formada em arquitetura e pôs graduada em finanças e estratégia empresarial,já trabalhei com muitas coisas diferentes, gosto muito de viajar, amo minha família, tento todos os dias chegar mais perto de Deus, e quantos aos amigos são minhas dádivas da vida que penso que eu também ajudei a escolher. Sou solteira, atualmente tenho um caso, e gosto muito dele, e por este motivo tenho medo mas não consigo parar.
Sobre casar, ter filhos e etc não tenho opinião formada mas sei que não quero ficar sozinha.
Gosto de correr mas estou parada tentando retornar.
Descobri lugares, pessoas e amores incríveis e quanto as decepções e desprazeres que tive tiro lições mesmo que as vezes seja necessário deixar a poeira baixar.
Estou aprendendo italiano e ainda preciso melhorar meu inglês.
Não, eu não faço a menor ideia de onde vou passar minha velhice e é por isso que aproveito cada gota de juventude que tenho.
Sou chorona e falo alto.
Sou muito sortuda, a vida me da sempre o melhor mesmo que as vezes isso leva um tempo.
Gosto de dançar na chuva, de andar descalço e claro gosto de fazer sexo também .
Não gosto de gente vazia, e acredito que jamais irá existir algo mais importante do que respeito é que inteligência é uma das características que mais tenho apresso.
Bem essa é um pouco de mim, do que fui, sou e posso me tornar.
E honestamente não troco meus 33 anos pelos meus 23, estou muito feliz com meu corpo, minha alma, minha vida e muito agradecida.
Ah um beijo pro meu pai, pra minha mãe e pra você Xuxa.
Parabéns pra mim é até logo

domingo, 16 de fevereiro de 2014

10 minutos

Todos os dias por volta de 22:30 temos um intervalo de dez minutos para fazermos o que quiser, por exagero da galera agora para tirar esse tempo temos que "bater ponto", e se nos atrasarmos perdemos o benefício por um cruzeiro inteiro, assim veja o relato de um desses meus dez minutos; 
Sábado 15/02 -22:33 bati o ponto, dez metros depois chego no elevador e dou sorte de ele já estar descendo, entro porque por sorte ele está vazio;
-22:35 entro na minha cabine destranco minha gaveta pego o cartão telefônico para ligar pra casa...
-22:36 disquei um bilhão de números (porque é ligação internacional) e já são 22:37;
-22:38 falo com meu pai e 22:39 falo com minha mãe ( praticamente o tempo de dizer que estou viva);
-22:40 desligo telefone tranco a gaveta e saio da cabine;
-22:41 estou na frente do elevador e com o "truque" ele subiu;
-22:42 parou em todo os andares e os indianos enrolando e eu brava "man fast I'm late";
-22:43 desço do elevador corro dez metros até a loja e ufa consegui...
Quando eu digo que não tenho tempo ninguém acredita.
Quando não estou dormindo, comendo ou trabalhando é que sobra tempo para todas as outras coisas ( ligações, lavar roupa, limpar cabine, passear, ler....)
Deve ser assim que surgiu a expressão "não está fácil pra ninguém"!
Kkkkkk e mesmo assim sou feliz da vida!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

E se tiver baqueada, vai baqueada mesmo

Realmente, eu não achei que fosse ver de tão perto coisas que ando vendo recentemente, é bem como diz a sabedoria popular; "quando eu penso que já vi tudo"...
Tudo bem eu sei que eu sempre vivi no mundo "Nárnia", mas aqui "Nárnia" é amostra grátis, a vida no navio é um grande buraco negro.
Sim, neste ultimo mês sinto como se eu tivesse envelhecido uns dez anos, pelo menos.
Morar no navio nem de longe pode ser descrita como ruim, pelo menos na minha opinião, mas mostra as facetas e comportamentos que nunca vi, de mim mesma e dos outros também .
Bem é verdade que quem tem caráter é igual aonde vai, independente da realidade e contexto que vive, e que pessoas "boas e ruins" temos em toda parte, mas percebo que muitos aqui se perdem de si mesmo não por maldade, mas por talvez por se sentirem mais livres e mostrarem o que realmente são.
Como eu já disse, aqui tudo é muito intenso e por isso também uma bela oportunidade de perceber quem realmente se é, quem se "quer ser".
Pessoas desonestas, pisando uma nas outras, sem profissionalismo, imaturas é infelizmente a minha realidade agora.
E como se tudo já não fosse difícil por natureza, alguns tornam tudo ainda mais difícil .
Sim trabalhamos muito, e alguns acham que a minha vida, a vida dos tripulantes, é só "alegria", ir a lugares paradisíacos, acordar cada dia em um lugar diferente, ganhar rios de dinheiro, apreciar comida e etc, e mais uma vez me valho da sabedoria popular "o povo só vê as cachaças que eu tomo, não vê os tombos que levo".
Não quero que estas palavras soem como reclamação, porque isto não é o que quero dizer, mas também é o retrato de uma realidade que provavelmente só quem vive sabe.
Eu honestamente, estou muito feliz, mas não sei se suportarei cumprir toda minha missão, esta última semana e todos seus acontecimentos, tem me feito repensar muitas coisas, e a vontade de ir pra casa existe, carência, saudade e cansaço fazem muita parte do meu cotidiano agora, e embora eu não goste de deixar as coisas que começo pela metade, não sei se consigo terminar meu contrato, pois eu não cheguei nem na metade, e me sinto as vezes exausta.
Acredito também que, lar é aonde a alma se aquieta, mesmo que não tenhamos um ponto fixo, e aqui nesse tipo de vida que estou tendo minha alma encontra pedaços de mim que por muito tempo eu procurei.
É bom se sentir assim.
Quando tudo fica difícil demais tento me lembrar do que vim realmente fazer aqui, penso em tudo que já aprendi e nos lugares maravilhosos que vi, e mentalizo os lugares lindos que posso ver e na pessoa melhor que posso ser quando tudo isso acabar.
Mas para isso é preciso respirar bem fundo, não se deixar levar pela maldade alheia, ser forte mesmo, talvez como nunca tenha sido necessário ser.
É quando vejo cenas como a que vi do capitão na nossa loja e compreendo que todos nós temos nossos limites que queremos mesmo no fundo é ser aplaudidos, respeitados, amados.
E ainda fico mais firme no meu pensamento de que o que vale é ser inteiro, verdadeiro, honesto, integro e que embora nem todos sejam assim, é necessário não se deixar corromper.
Sai de mim elétrons, e quem é "cipó" sabe que é necessário segurar na mão de Deus e "ir".
Sim, sou muito esquisita e isso também acredito que não vai mudar não é isso que está atrapalhando e nem é isso que eu quero, mas pra falar a verdade tudo que eu queria agora era comer uma boa "Coxinha de frango".
Do prazer das coisas simples e fáceis da vida estou cada vez melhor, olhar o mar, telefonar para a família, ter "miojos" guardados e compartilhar, ah compartilhar uma das lições mais preciosas e presentes na minha vida agora.
Aqui estou perdendo um monte de frescuras que eu tinha, minhas manias de repente se foram, ufa, ainda bem, mas percebo que novas manias estão surgindo.
Afinal viver nessa comunidade de que tudo se sabe, que de tudo se divide tem seus prazeres também.
Bom, chega de "enxer" vocês com estas palavras.
Um beijo para todos que eu amo, e aqueles que me amam, saibam que eu sinto uma saudade imensa e ímpar.

"E se tiver baqueada, vai baqueada mesmo".

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Primeiras impressões da vida de tripulante

Talvez eu vire escritora.
De tudo que estou vivendo aqui no navio talvez eu consiga descrever mas só um outro tripulante consiga compreender o significado de cada coisa que eu tente explicar.
As emoções são todas muito intensas, amor, amizade, saudade, carência, carinho seja qual ela for é delineada de uma maneira única .
Moramos, namoramos, passeamos no nosso lugar de trabalho, e embor em todas as funções trabalhamos muitos a grande maioria perde tempo com a vida alheia.
Talvez o que mais se aproxime aqui seria viver no B.B.B com a diferença de trabalhar no mínimo 12 horas por dia.
Desde que eu fiz esta escolha, trabalhar no navio, minha vida começou a mudar, e sem sombra de dúvidas, nunca mais serei a mesma pessoa.
É impressionante como ficar longe de tudo nessa louca realidade me faz amar ainda mais quem eu amo e querer ainda mais a vida minha vida, e ser quem sou melhor do que sempre, e uma força para ter o que quero é amar o que tenho.
Sim, meu cérebro fica louco e as vezes mistura inglês, italiano e português, sim eu sinto muita falta de cozinhar e dirigir, mas agora nessa vida multicultural tenho um mundo dentro de cinco minutos andando a pé, e sei que a comida, embora não do meu sabor predileto, estará pronto nos horários designados.
Ah eu tenho que falar sobre dormir, agora praticamente todo tempo que sobra é para dormir, dormir de uniforme pra poder aproveitar o tempo é uma coisa que eu jamais imaginei.
Comer um mc'donalds diferente em cada pais, experimentar novas comidas, andar a pé perceber na arquitetura da cidade a cultura das pessoas a sua forma de vida.
Nossa o quanto me sinto mais forte, mais segura, mais independente e isso é "amostra grátis" de tudo que tenho aprendido e crescido.
Agora eu tenho uma visão de Deus que eu jamais imaginei ter, e sobre isso jamais eu conseguiria escrever.
Ah e quando olho a imensidão do mar e lembro da minha casa flutuando lá e tudo mais, o resto das minhas palavras somem...
O meu tempo de internet está acabando e agora tenho que ir, meu desejo de feliz ano novo pleno de realizações e saúde tudo abençoado por Deus.
E meu maior desejo é que todos sejamos felizes como eu estou, se sentir inteiro como eu venho me sentindo não tem nada que nos deixa abater!

E assim é um pouco das primeiras impressões que tenho da vida de tripulante.... vediamo...
Beijomeliga eu to na Argentina!