quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Navegar é preciso"

Eu nunca imaginava que estaria assim hora dessas...
Há exatamente 15 dias atras minha vida resolveu por mim a dúvida que eu estava, se ia mesmo para o navio ou se me mudaria para São Paulo, então no dia 01 de outubro saiu minha data de embarque e também a dos exames médicos admissionais.
Gente a emoção que senti quando vi o título do email, "sua data de embarque foi confirmada", é indescritível, só quem está no processo que entende o quão grande é a importância.
Desde o dia que enviei meu currículo, foram seleções, treinamentos, e  muita, mais muita expectativa.
E eis que "meu filho nasceu" então, oito meses envolvida com uma história tão maluca, mágica, emocionante mesmo antes de iniciar.

Eu lutei muito para conseguir, lutei comigo mesma, lutei com os familiares, com os concorrentes de vaga, com duas novas línguas estrangeiras, mas consegui.
Data de embarque em 29/11/2013 no porto de Savona na Itália, e logo eu que sempre senti uma afinidade por este país, e o boi fala , "seu amor está lá na Itália".
E se estiver ótimo, mas não é por isso que eu fiz esta escolha, eu escolhi na verdade viajar, ver o mundo, não ter que ser arquiteta a todo custo, e ninguém imagina quanto deboche, preconceito e orgulho besta que vi, ouvi quando eu optei por este caminho.
Ah mais todo mundo tem uma formula mágica para nós vivermos a nossa vida, fico pensando, não bastava eu cuidar da minha e fulano cuidar da dele... Sugestões como concurso, montar escritório, voltar pra minha empresa, blá, blá, blá, desculpem pessoas mais eu tive que ligar o botão "foda-se".
Eu nunca acreditei que seres humanos foram criados por Deus para "cumprir o figurino", temos todos direito de fazer nossas escolhas, e elas não são mais dignas ou menos dignas por sermos arquitetos ou vendedores, há quem classifique pessoas assim, mais eu não.
Eu procuro o brilho na alma, e se para isso eu tiver que vender "coisas" no duty free do navio não acredito mesmo que serei inferior a ser uma arquiteta.
Eu sou arquiteta, independente de estar exercendo ou não, porque eu sou arquiteta todos os dias, em todos os lugares que eu vou, não sei parar de olhar para o teto, melhorar  todos os lugares que eu vou, e muito menos de suspirar quando vejo o que um colega de profissão foi capaz de fazer.
Meu Universo agora será totalmente diferente, e eu não estou aqui querendo convencer ninguém de que o meu caminho é o certo, é o "mais legal", apenas estou falando de mim, da minha vida do que quero...
Irei ver o luxo do navio, as boas propostas de aproveitamento de espaço da arquitetura de interiores, descerei em portos diferentes, países diferentes, terei uma imersão cultural que em outra ocasião eu não teria esta oportunidade, porque sou pobre, não posso simplesmente viajar, então vou trabalhar (diga-se de passagem muito cerca de 13 horas por dia) muito em prol de horas de folga, para ver ao vivo um pouco do que vejo nos livros, na internet, um pouco do que estudei, e claro também do que fantasiei.
E o melhor vou receber por isso, não terei que pagar comida, nem aluguel, e há ainda quem ache que eu fiz uma escolha ruim....?
Nunca pedi que me entendessem, mais exijo que me respeitem!
Tudo bem não é uma vida para qualquer pessoa, até mesmo porque cada ser vivo é de um jeito, e com certeza algumas pessoas não se adaptariam nem se fossem obrigadas, e talvez até eu que quero tanto posso não me adaptar.
O que eu não posso e não vou fazer é sentar minha "bunda gorda" em um escritório só porque estudei edificações, arquitetura, e já fiz casa cor, ao invés de ver o mar, ver as montanhas, as cidades, os prédios, os monumentos, as pessoas não brasileiras...
Eu sempre fui uma pessoa mais livre, agora isso veio com muita intensidade e dessa vez com uma diferença eu decidi que não vou recuar, não vou me amedrontar ao ponto de desistir.
Foi uma super conquista, não preciso que ninguém sinta orgulho, mais eu estudei muito, fiquei noites sem dormir, esperei muito para ir para o mundão, ou seria marzão? (risos)
Sinto algo sensacional desde o dia que recebi minha data, é um caminhão de emoções misturadas que já estão me transformando, quero aproveitar cada dia, ligar pra todo mundo que der vontade, ver todas pessoas queridas, comer minhas comidas preferidas, porque serão seis meses muito malucos, e longe da minha zona de conforto.
E Deus sabe o quanto eu pedi pra ser orientada para o caminho certo, para ser feliz, para fazer o que fosse melhor para todos envolvidos no meu processo mundo-vida-evolução...
Já tem alguns meses que sonho que estou dormindo no navio, trabalhando, acredito que é por querer demais, por ouvir muitas histórias, por de uma certa forma já estar lá no marzão de meu Deus.
Sou muito grata, isto também sinto, pela oportunidade, por esta possibilidade, e que tenho certeza que será de grande aprendizado e valia, e jamais vejo como se estivesse perdendo seis meses.
E o frio na barriga que já sinto, ai meu Deus!
Até saudade já sinto também, só de pensar em ficar longe das pessoas que amo.
Então está chegando a hora.
Obrigada a cada um que colaborou, direto ou indiretamente, para que eu chegasse onde estou, estou realmente agradecida e inigualavelmente feliz!
Eis que o ultimo teste foi feito, exames médicos realizados, resultados sendo aguardados ( pois eu não posso ter nada, nem coisas do tipo colesterol alterado) vamos ver se realmente serei aprovada, espero que sim, acredito que o Costa Fascinosa me verá em breve, junto com também mais alguns brasileiros que lá estarão (e isso é ótimo).

Agora para mim "navegar é preciso"!

domingo, 22 de setembro de 2013

Minha querida São Paulo

Todas as cores, texturas, espessuras.
Todas as formas de amar, de viver, de pensar.
Todas as religiões e formas de ver um Deus, muita proteção Divina e pouca fé.
Alguns trocam artesanato por comida.
Outros gratuitamente divulgam seu ideal de vida, veganos, vegetarianos, budistas.
Alguns sorriem, outros fumam, uma parte come.
Tem cego, surdo, mudo, cadeirante, e maioria de nós "andantes".
Baixo, alto, magro, gordo, bonitos e feios.
Todas as raças e também todas as nacionalidades, sotaques e idiomas, mostram nossa bela diversidade.
Missionários, visionários, ordinários, há de todos os tipos.
Ônibus, carro, motos e muitos pedestres.
Alguns trabalhando, outros se divertindo.
Enquanto alguns percebem a maioria transita.
Ricos, pobres, média classe.
Bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Encarnados e desencarnados.
Já estive aqui em tantas ocasiões, e o mesmo lugar já foi tão igual e tão diferente.
Aqui minha alma esquece os problemas e tudo é calma, sabedoria, transmutação.
Meu coração consegue bater compassado e descompassado ao mesmo tempo.
É também foi aqui que já dei muitas risadas mas também chorei.
Já vi o entardecer tantas vezes e também o amanhecer, hora com alegria hora com tristeza no olhar.
Me parece uma relação entre nós de outras vidas.
Somente aqui eu perco os sentidos e conjuntamente os sinto com mais sensibilidade, tato, olfato, paladar, visão e audição, as vezes desagradáveis, mais em sua maioria agradáveis.
Aqui sou mais feliz do que triste.
Aqui somente aqui, o que as vezes é parte de mim se torna inteira, me percebo, me encanto com o que vejo no espelho.
Sem dúvida é um caso de amor, paixão, admiração, é um pouco do que digo e faço para compreender minhas sensações.
Me fazes sentir, esperta, completa, capaz, forte, perspicaz, sagaz, talvez por isso torna esse elo ainda mais estreito.
És tu minha querida São Paulo, a única que consegue minha paz de espírito, minha integridade espiritual e corporal juntas.
Por toda esta tua capacidade de ser democrática, de sua liberdade de expressão do ser é que me torno ainda mais apaixonada.
Apenas aqui, sei que posso ser o que eu quiser, e meio que parafraseando, eu mais vôo do que tenho os pés no chão, e isso, principalmente pra esse momento, é tudo, que quero, que sinto, que desejo e que me explica.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mais uma da série: foi lindo

Então coisas improváveis acontecem comigo também, tão improváveis que nem meus loucos devaneios imaginariam tal acontecimento quanto mais tal desfecho.
Há quase um ano atrás eu conheci uma pessoa, mas eu namorava, não houve nada, senti que houve um certo interesse, apenas isso.
Algum tempo depois começamos a nos falar com mais frequência via internet (viva a tecnologia- tecnologia aproximando pessoas, as vezes afastando também, mais.....kkkkk) e era ele quem estava namorando desta vez.
A capital Paulistana nos proporcionou um encontro há quase três meses atrás, boa conversa, boa companhia, risadas, gestos que eu apreciei muito, e senti vontade de tê-lo ao meu lado.
Promessas, pedidos, desejos, também ocorreram ali, até um beijo roubado, só um!
Ele iria viajar, para um país inacreditável e perguntou o que eu queria, eu disse uma pedra, ele "uma pedra"? é de um lugar lindo, interessante só que tem que tirar uma foto.
Queria por tudo que eu fosse vê-lo, resgatar meus presentes, eu até disse que ia, mas não consegui cumprir minha palavra, poxa o cara estava namorando, então eu disse quando ficar solteiro me liga.
E assim aconteceu não muito tempo depois ele ficou solteiro me ligou, combinamos e eu fui ao seu encontro.
Deixei tudo ao cargo dele, o que íamos fazer, onde íamos nos divertir, comer, enfim, não para que eu pudesse me livrar da responsabilidade, mas como eu não o conhecia muito bem e sei da minha adaptabilidade prefiri que ele escolhesse.
Eu queria cozinhar para ele e não chegamos a um concensso.
Imaginei tantas coisas sobre ele, ele me mostrou um pouco do mundo dele, e enxerguei uma pessoa que tem um lado maluco, que gosta da natureza, passeios radicais, é muito inteligente e que entre outras coisas me encantaram.
Muitos dias me imaginei fazendo rapel com ele, tomando banho de cachoeira, com sorrisos, gestos, carinho e tudo mais que desse vontade.
Dias felizes, melhor referindo, nossos dias felizes e tão sonhados por nós dois chegaram, junto com imprevistos, carro quebrado, frio, chuva e algumas coisas dando errado e quebrando o encanto.
Não que eu seja a mulher destemida, mas não gosto muito de ficar sozinha esperando em um lugar estranho alguém que prometeu estar me esperando quando eu chegasse, é diferente de você saber que vai sozinha.
Me chatiei.
Mas tudo bem vamos lá, viriam mais alguns dias, eu respirei fundo e só o pedi que não me deixasse esperando de novo.
Ah chegou a hora do presente, e juro me surpreendi, uma fotografia linda dele com a pedra, com explicações do lugar que é incrível, histórico e minha pedra, ah gente aquela pedra.
Junto com a pedra vieram chocolates ,belga e africano, perfeitos, uma blusa que ele disse que o maniquim era "eu", e a blusa é linda a minha cara, se eu tivesse lá provavelmente eu a teria comprado.
Eu ainda sou do tipo boba, que gosta de coisas delicadas, de cuidado, carinho, coisas escritas a mão.
Fiquei tão feliz, e mais coisas passaram pela minha cabeça, bons sentimentos, e momentos inacreditáveis, vieram em seguida.
Saímos, bebemos, conversamos, namoramos, tudo lindo.
E em algum momento começamos a nos desentender, a nos perdermos, sabe quando um quer uma coisa e o outro não, então criancisse das duas partes, porém nem sei explicar direito o que aconteceu.
As coisas perderam um pouco o brilho, já não me sentia a vontade para tirar foto (coisa que amo principamente e bons momentos e lugares novos), já ficava incomodada na hora de escolher o que comer, o que vestir e o pior parecia que eu já não era mais tão espontânea, natural, e quando eu não sou eu geralmente não dá muito certo.
A tão linda cidade de Visconde de Mauá não nos viu juntos, não entendi direito o que houve, se já estava planejado, mais a frustação maior não foi não ir, foi não saber porque, homens que estiverem lendo isso, mulheres são "movidas a explicações".
Então tínhamos São Paulo no outro dia, quatro horas de viagem e nem uma palavra dele, eu só pensava, "tem algo errado, que será que eu fiz" ? Até hoje estou sem saber.
Chegamos ao hotel, comemos, tiramos um cochilo e era hora do teatro, uma correria porque era longe deixou o nosso ar ainda mais pesado.
A peça ilária, rimos o tempo todo, mais depois de tantas risadas o humor não o contaminou.
Eu então desisti.
Discutimos nem eu sei direito porque, mas foi aonde paramos para comer, ele disse que disse uma coisa e eu entendi outra, mas naquele momento tudo desmoronou, eu o vi partir, mesmo que ele um pouco depois ele estava ali frente a frente comigo de novo.
Fui embora, um bilhete de despedida que eu deixei, nem um beijo, um abraço, um muito obrigada com carinho houve, só aquele bilhete infeliz...
Eu estava chateada, decepcionada, e para não brigar e ficar com as boas lembranças decidi me retirar, me ausentar.
Não houve uma conversa consistente, não se conversa essas coisas por internet, e também ninguém deu o braço a torcer, um passo a frente para realmente resolver, e ficou o dito pelo não dito.
Eu acho que o mínimo seria uma despedida digna.
As vezes as coisas que acontecem que nos pegam desprevenidos nos mudam para sempre, tanta coisa aconteceu que eu nem voltei pra minha cidade, e cá estou na "solitária" São Paulo, sem data e vontade de voltar, para o que eu chamo de minha casa.
Eu  sei ele é doido, mais eu também o sou, não entendi e não sei se quero entender, mas o fato é que estou sentindo um vazio ruim, uma saudade que eu não sabia que eu sentiria, um arrependimento de coisas que não fiz mas que nem sei direito o que.
Talvez essa minha vontade de ter alguém ao meu lado me atrapalhe, pois são expectativas demais.
Talvez minha indecisão profissional também.
Mas ontem quando peguei a pedra e percebi que ela tinha um formato de coração, eu mesmo sem saber se ele percebeu, meu coração doeu, minha alma chorou.

Pareceu tudo novela mexicana, mas foi minha vida gente, e a tristeza se fez presente.
Foi ruim, principalmente o final da história, não que eu achasse que eu fosse me casar com ele, nada disso, mas achei que seria diferente, e só um tema lindo na minha vida.
É o Biquini Cavadão nunca mais será o mesmo, depois de tanto ouvi-lo com você.
E esta  foi mais uma história da minha da série, foi lindo!
E como não consigo me expressar mais, o que posso dizer é, obrigada lindo, era assim que eu o chamava.

domingo, 1 de setembro de 2013

Crônica de agradecimento

Eis que mais um ciclo maluco de minha vida se finaliza.
Ficam tantas coisas pra serem ditas, tantas lembranças para serem guardadas, tantos agradecimentos a Deus e a tantas pessoas que vai ser um texto difícil de compor de maneira que expresse pelo menos um pouco do que senti, do que eu aprendi.
Estamos tão acostumados a julgar as pessoas que antes de pensar, observar julgamos, e claro eu infelizmente ainda faço isso, é uma luta diária deixar de julgar.
Julguei sim antes de aceitar o convite pra vir para Morrinhos trabalhar na nova empresa deles por um tempo, mas a verdade é que inconscientemente temos o hábito de ver a vida alheia sobre a nossa ótica, grande erro.
Compreender e aceitar as pessoas do jeito que são sem um pré-conceito é uma das coisas mais difíceis na minha luta para me tornar um ser humano melhor, mas a consciência da importância tem me ajudado.
Pois bem, aceitei, vim trabalhar em uma empresa de crepe e tapioca, sem nunca ter feito nenhum dos dois, para ganhar pouco, e a minha função: faz tudo.
Aceitei porque achava que eu precisava romper com meu orgulho, porque poderia aprender novas coisas, porque estou "perdida" profissionalmente, porque ficaria mais perto de pessoas que amo, principalmente da minha afilhada que é o bebê mais lindo do mundo!
Tiveram outras coisas que me fizeram aceitar, como o conselho do Boi (meu melhor amigo), meu sexto sentido falando que eu tinha que aceitar, e também por superação, porque isso com certeza eu teria que ter para conseguir.
Preferi enxergar que seria um preparatório para o navio, se é que eu ainda vou, mas isso eu conto em um outro texto, e ainda receberia "uns trocados", ótimo "simbora."
Limpar chão, lavar louça, servir pessoas, fazer crepe, fazer tapioca, cortar carne, ralar mussarela, lixar chapa, foram algumas das minhas atividades nesse mês.
Trabalhei de segunda a segunda, com apenas algumas horas de folga, e isso é muito cansativo.
Uma carga horária nem tão alta, de oito a doze horas por dia, dependeu do dia, mas um serviço totalmente diferente do que eu estava acostumada a fazer, e nos primeiros dias um cansaço do tamanho do universo, mas do corpo e não do psicológico.
Senti na pele várias coisas que tinha ouvido falar de quem trabalha em uma cozinha, e sem dúvida meu respeito e admiração por essas pessoas aumentaram ainda mais.
Eu amo cozinhar e acredito que este trabalho pode influenciar em minhas decisões no futuro.
Dormir no chão e na sala, montar e desmontar a cama todo dia, fazer academia mas não poder correr, andar somente a pé, ficar em pé por muitas horas, entre outras coisas foi um pouco desta minha aventura.
Dissabor, quase nenhum, um trabalho que me deu 99% de satisfação e o restante de insatisfação.
O trabalho que foi menor remunerado que fiz até hoje, mais uma vida tão tranquila como poucas vezes eu tive, leveza, alegria na alma, prazer de trabalhar...
Ah e ficar perto da pequena Sofia, não tem nem como descrever, não tem dinheiro que pague, e não terá nada que suprirá minha saudade.
É foi ruim ficar longe do meu colchão, de algumas pessoas, do Joe, mas confesso também que em momento algum senti saudades da cidade que nasci, ah Goiânia, me desculpe por isso.
Meus sentimentos foram ótimos, minha alma se aquietou, embora minha mão, minhas unhas, meus cabelos estejam um desastre kkkkkkkkk.
Aprendi que, "tem gente que é mais doida que gato no saco", que "galinha que acompanha pato morre afogada" e que em muita das vezes somos "a inteligência pura".
Mas agora é hora de partir mais uma vez, de continuar a minha caminhada, pisar sem sentir o chão, é voar sem asas, é isso que quero para mim, sei que virão dias difíceis, de decisões importantes que mudarão meu destino para sempre, adiei até onde pude para tomá-las, mas a força que ganhei nesses dias e o fortalecimento também da minha fé, me deixam pronta para passar por isso.
A todos envolvidos no processo, aquele abraço de muito obrigada, pelos ensinamentos, pelos sorrisos, pelas conversas, e que Deus retribua tudo esse sentimento maravilhoso que está dentro de mim com realizações para vocês.
Não é um adeus, um até logo.
É uma crônica de agradecimento.
Obrigada a todos e todas, obrigada Pai.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Simplicidade

É verdade que a simplicidade está na moda.

simplicidade - segundo dicionário online
s. f.
1. Qualidade do que é simples.
2. Ingenuidade.
3. Singeleza.
4. Inocência; candura; modéstia; credulidade.
5. Parvoíce.
6. Naturalidade.
7. Desafectação.
Vejo por todos os lado pessoas falando, escrevendo que resolveram ser simples, que simplicidade é o que importa, mas será que estão realmente praticando isso? Será que não estamos em uma grande maioria vivenciadores das "modas para melhorar nosso cotidiano"?
Eu sempre fui uma pessoa complicada, tenho uma tendência em gostar de tudo que é mais difícil, complico coisas que eu poderia simplificar, principalmente no que tange a emoções, e minha própria natureza, a forma de encarar a vida, torna as coisas um pouco estranhas demais, entre a normalidade e a loucura.
Mas loucura, normalidade falo disso em outro texto mais pra frente.
Olhando para trás percebo que tive uma vida tranquila, casa pra morar, família por perto, nunca tive que trabalhar pra sustentar a família, saúde, é, simples, mas em tantos questionamentos que me encontro sei que não adianta questionar o que passou, mas olhar o que vivi, a forma como encarei tudo, perceber as coisas que compliquei, facilita agir para que as mudanças que eu tanto quero que ocorra em mim e em minha vida aconteçam de verdade.
Hoje primo pela simplicidade, não apenas pelo modismo, mas é que passei por coisas difíceis realmente, que me fizeram entender que a vida passa rápido e que temos que dar o melhor e receber o melhor que ela tem a nos oferecer, e quer mais simples do que isso?
Quando me refiro a simplicidade, me refiro a ser feliz com o que tenho, buscar o que não tenho de maneira leve, divertir olhando o pôr-do-sol, desfrutar a companhia de um amigo mesmo que ele esteja a quilômetros de você e mesmo que para isso use os recursos da internet, é sentar no chão e brincar com uma criança, enxergar as paisagens ao nosso redor, digo não ver o engarrafamento apenas, mas ver o quanto aquele prédio é bonito ou feio (eu sou arquiteta né!), andar mais a pé, conversar coisas que proveitosas, aprender com todos ao redor.... e podem ser tantas coisas que eu poderia ficar dias escrevendo....
Não gosto de me sentir uma refém social, mas eu hei de concordar que ser simples é aumentar a qualidade de vida.
Eu passei uma parte da vida pensando que grandes coisas que faziam grandes pessoas, exemplificando, era legal trabalhar em multinacional, ser o melhor da classe, entre outras coisas, não tinham nada haver, até o curso natural da minha vida, e minha sede por paz na alma mostraram que muita coisa disso não era como eu imaginava que fosse, pode-se viver em qualquer cidade, ter qualquer emprego, namorar qualquer pessoa, e etc, que a felicidade, a alegria, o amor, a paz de espírito, podem estar em qualquer lugar, basta que você esteja em paz consigo mesmo.
E isso para mim é ser simples.
Simples no que se é, simples no que se vê, simples no que se sente.
Uma coisa que facilitou muito, foi o fato de eu não querer o tempo todo entender porque todo mundo tem essa ou aquela atitude, e nem querer que vejam o mundo como eu vejo, parece besteira, mas levei anos para entender isso, e minha vida naturalmente simplificou quando passei a pensar e agir assim.
Não tenho grandes lições, mas o que posso deixar aqui é que nascemos simples, e como crescemos complicamos, e isso é extremamente desnecessário.
Vamos lá nessa luta, ser simples deveria ser fácil, mas pra mim ainda é aprendizado, mas estou feliz pela busca desse caminho, me sinto uma mulher muito melhor e mais feliz, de leveza, e na verdade todos somos iguais nesse quesito, o queremos é ser felizes, e isso é muito mais simples do que parece....

sábado, 27 de julho de 2013

Desconforto temporal - A matrix Danillistica!

Você descobre que envelheceu quando em um sábado a noite está sozinha e seu jantar é um misto quente e um copo de leite.
O telefone já não toca mais, e quando toca ou é um parente ou assunto de trabalho.
O envelhecimento representa muito mais coisas do que as "rugas", a mudança do corpo, do metabolismo, dos hormônios.
Eu não sei se o que tive foi crise dos 30 ou se foi apenas coincidência, mas foi um tempo em que tive muitos desprazeres na vida pessoal, na saúde física e também na profissional, aconteceu tudo de uma vez, uma coisa puxou a outra que veio sei lá de onde.
Seres humanos são prolixos, e no momento de aproveitarem para serem simples não o são.
Outro indicativo que a idade não perdoa é que você pensa antes de fazer uma coisa, antes de ir a algum lugar, não dá mais pra esperar em filas quilométricas, não serve qualquer bebida alcoólica, e quem é solteira como eu já não dá mais para beijar qualquer "gatinho".
Tudo se complicou, responsabilidades profissionais, cobranças sociais, além de que não há pique para beber a noite inteira e ir trabalhar no outro dia como se nada tivesse acontecido, aliás sair meio de semana só casos extremos, e se for balada então nem se fala, isso são alguns exemplos.
Ah a balada, antigamente todo dinheiro e energia era praticamente voltado para ela.
Balada agora é mais raro quase do que ganhar aumento salarial.
Agora começamos e devemos mesmo começar a pensar em nossa previdência social, que forma, quanto tempo... Triste verdade!
Engraçado ando me sentindo muito velha, acredito que devida as circunstâncias das escolhas que fiz ultimamente, ( refiro aqui ao navio e todas consequências que essa escolha me trouxe) está fazendo com que eu me sinta velhinha.
E a solteirice me deixa assim melancólica e as vezes saudosista, com saudade não de alguém, mas das circunstâncias naturais de uma boa relação romântica, olho para os lados e vejo todos "tão felizes", todos muito ocupados com os seus carnês, com seus maridos, com seu trabalho, daí vem a parte que me sinto praticamente de outro planeta, tá mas não tente entender essa última parte porque isso merece um texto na íntegra para pelo menos contextualizar.
Parece que todo mundo ficou tão velho de repente, e eu me sinto uma "adolescente" quando me comparo com a maioria, todos com trinta, trinta e poucos anos, afundados em boletos, querendo juntar não sei o que para não sei quem, porque eu percebo que esquecem de aproveitar a juventude do momento e ficam acumulando "bens materiais".
Lógico, todos temos responsabilidades em todos os campos da vida, mas é difícil para mim notar que a maioria deixa pra se divertir na "aposentadoria", que é quando já não se tem mais tantas "obrigações" , mas não se tem mais tanta disposição, saúde... por mais cuidadoso que se seja com a saúde, ter 30 não é igual ter 18, ter 70 não é igual a ter 40.
Não vejo "ninguém" querendo acumular boas histórias de realizações de seus sonhos para contar, muitos passam o tempo presente sonhando com o futuro, e quando este futuro chega sonham com um passado, utilizando a partícula "SE".
Não estar empregada tem me feito refletir muito sobre minha vida, sobre as minhas escolhas, mas poxa vida, eu não tenho que viver como se tivesse quinze anos e nem como se tivesse quarenta e cinco!
As vezes acho que essa sensação de "bagunças de idades" é coisa da minha mente "flutuante", mas de coração não compreendo porque muitos querem envelhecer antes da hora e sequer percebem, a maioria quando assimila que o tempo passou e não tem nem fotografias para recordar.
Não sei se é bem assim, para envelhecer "normalmente" você tem que se casar,  e ter filho.
A sociedade de maneira geral excluem as pessoas que não seguiram "esse padrão social", e principalmente na cidade provinciana que moro, ando me sentindo totalmente sem ar, sem lugar, sem opção, uma velha e nova ao mesmo tempo, se é que conseguiriam me entender.
Não preciso ficar mais velha do que sou porque a maioria o faz!
Dá pra ser jovem sendo solteira, e não dá pra ser mãe de qualquer jeito porque o relógio biológico tem um tempo. A verdade é que para algumas coisas tem tempo mesmo, como prazo de validade, uma mulher não pode ter filho velha demais, mas antes sozinha e feliz do que com filho e infeliz.
Vou tentar desconsiderar esse mal estar que ando sentindo com relação a minha idade e a "velhice" alheia, talvez ser tia, fez pesar um pouco, ter que ir ao Batizado da minha afilhada sozinha também não foi uma coisa agradável que me fez pensar que estou velha demais para estar solteira, e com pensamentos em cadeia me senti velha para tantas outras coisas, que parece pessimismo, mas prefiro acreditar que é uma visão minha distorcida do tempo.
Será que eu deveria mesmo largar essa vida "normal" e realmente morar "no mar"?
Não sei, não me incomodo com minha idade, sou feliz com os meus 32 anos, e não troco a minha realidade de hoje pela de quando eu tinha 20, mas é fato que estou sentindo um desconforto "temporal", mas deve passar, até mesmo porque tudo tem um tempo certo e ansiedade nunca ajudou ninguém a compreender essa necessidade que o SR. tempo tem....
Ainda dá pra esperar mais um pouco para ter algumas coisas, para ser o que realmente quero ser, já esperei tanto, se eu perder o foco agora pode se complicar....
Mas não está fácil, sinto como se eu tivesse vivendo em uma Matrix Danillistica, é deve ser isso, provavelmente em algum lugar do tempo e
espaço tudo deve se normalizar.... ou não ! Vai saber...

sábado, 20 de julho de 2013

Para os meus amigos

Amigo (latim amicus, -i)
adj. s. m.
adj. s. m.
1. Que ou quem sente amizade por ou está ligado por uma afeição recíproca a. = companheiroinimigo
2. Que ou quem está em boas relações com outrem.inimigo
3. Que ou quem se interessa por algo ou é defensor de algo (ex.: amigo dos animais). = amante, apreciador
s. m.
4. Pessoa à qual se está ligado por relação amorosa. = namorado
5. Pessoa que vive maritalmente com outra. = amante, amásio
6. Pessoa que segue um partido ou uma facção!fação. = partidário
7. Forma de tratamento cordial (ex.: venha cá, amigo, que eu ajudo-o).
adj.
adj.
8. Que inspira simpatia, amizade ou confiança. = amigável, amistoso, reconfortante, simpático
9. Que mantém relações diplomáticas amistosas (ex.: países amigos). = aliadoinimigo
10. Que ajuda ou favorece. = favorável, propíciocontrário

Amigos de verdade...
Palavras não são capazes de expressar os sentimentos envolvidos em uma amizade verdadeira.
Momentos de ódio, amor, carinho, cuidado entre outros são capazes de demonstrar um pouco do que se sentem os verdadeiros amigos.
Pelos amigos percebemos coisas como,o quanto envelhecemos, o quanto aquele programa de índio foi inesquecível porque nós estavamos lá juntos, quando se ri de tudo, de nada, ou acha graça em expressões como "bota e balão" "aoh ingratidão" entrando até para a linha de piadas internas e não dando a mínima para os outros...
Basta um olhar para um entender o que o outro quer.
Tenho amigos, bonitos, inteligentes, topetudos, divertidos e tudo isso em um deles ou mesmo em todos eles em várias ocasiões.
Na frente de meus amigos posso ser quem eu sou 100%, e isso não me deixa livre de uma bronca, ou de uma crítica, construtiva ou não, (risos), posso pular poças d´água, assistir friends em inglês e nem entender direito, viajar com pouquissimo dinheiro e ainda assim emprestrar um pouco de dinheiro para o que está mais quebrado.
Brigamos e fazemos as pazes, sem hipocrisia, nem sempre deixo de magoá-los, e ainda bem que eles sabem que eu não sou a pessoa mais jeitosa do mundo...ainda assim depois de pedir desculpas, continuam me amando...
Pular quando fala que vai comprar chocolate pode???
Com esse tipo de amigo sempre pode, porque o máximo que o amigo vai dizer é " a Danilla só você mesmo" ... ah e eu adoro quando ouço isso.
Sinto muita saudade de meus amigos, alguns sempre estão mais distantes, por causa da falta de dedicação, por "falta de tempo" ou porque se mudaram e estão literalmente longe, mais ainda sim continuam sendo meus amigos, se eu os revejo depois de um ano, parece que foi ontem que tudo aquilo que já vivenciamos juntos !
Orgulhosamente posso dizer que tenho amigos de todos os jeitos, pra todas as horas, alguns ajudam mais naquela minha falta de paciencia, outros na sua indecisão profissional, enquanto tem sempre aquele(a) que entendem tudo, e que registram na mente lágrimas e sorrisos incapazes de serem fotografados...
Na verdade eu nem sei direito porque estou escrevendo essas coisas...
Mais o fato é que percebo que tenho poucos amigos mais eles são verdadeiros, e nessa fase que estou passando estão me ajudando tanto....
A talvez eu esteja escrevendo por gratidão, e então a vocês meu muito obrigada.
E sei que vocês sabem que eu os amo, e sabem quem são meus verdadeiros amigos...quero tê-los ao meu lado para toda eternidade... (nossa to ficando piega já)...
Registro aqui, meus sentimentos e  um pouco de tudo que são para mim e que penso que sou para vocês, meus amigos!
Como diria o meu bagão "Gosto de vocês de graça" ou não...kkkkk