quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

E se tiver baqueada, vai baqueada mesmo

Realmente, eu não achei que fosse ver de tão perto coisas que ando vendo recentemente, é bem como diz a sabedoria popular; "quando eu penso que já vi tudo"...
Tudo bem eu sei que eu sempre vivi no mundo "Nárnia", mas aqui "Nárnia" é amostra grátis, a vida no navio é um grande buraco negro.
Sim, neste ultimo mês sinto como se eu tivesse envelhecido uns dez anos, pelo menos.
Morar no navio nem de longe pode ser descrita como ruim, pelo menos na minha opinião, mas mostra as facetas e comportamentos que nunca vi, de mim mesma e dos outros também .
Bem é verdade que quem tem caráter é igual aonde vai, independente da realidade e contexto que vive, e que pessoas "boas e ruins" temos em toda parte, mas percebo que muitos aqui se perdem de si mesmo não por maldade, mas por talvez por se sentirem mais livres e mostrarem o que realmente são.
Como eu já disse, aqui tudo é muito intenso e por isso também uma bela oportunidade de perceber quem realmente se é, quem se "quer ser".
Pessoas desonestas, pisando uma nas outras, sem profissionalismo, imaturas é infelizmente a minha realidade agora.
E como se tudo já não fosse difícil por natureza, alguns tornam tudo ainda mais difícil .
Sim trabalhamos muito, e alguns acham que a minha vida, a vida dos tripulantes, é só "alegria", ir a lugares paradisíacos, acordar cada dia em um lugar diferente, ganhar rios de dinheiro, apreciar comida e etc, e mais uma vez me valho da sabedoria popular "o povo só vê as cachaças que eu tomo, não vê os tombos que levo".
Não quero que estas palavras soem como reclamação, porque isto não é o que quero dizer, mas também é o retrato de uma realidade que provavelmente só quem vive sabe.
Eu honestamente, estou muito feliz, mas não sei se suportarei cumprir toda minha missão, esta última semana e todos seus acontecimentos, tem me feito repensar muitas coisas, e a vontade de ir pra casa existe, carência, saudade e cansaço fazem muita parte do meu cotidiano agora, e embora eu não goste de deixar as coisas que começo pela metade, não sei se consigo terminar meu contrato, pois eu não cheguei nem na metade, e me sinto as vezes exausta.
Acredito também que, lar é aonde a alma se aquieta, mesmo que não tenhamos um ponto fixo, e aqui nesse tipo de vida que estou tendo minha alma encontra pedaços de mim que por muito tempo eu procurei.
É bom se sentir assim.
Quando tudo fica difícil demais tento me lembrar do que vim realmente fazer aqui, penso em tudo que já aprendi e nos lugares maravilhosos que vi, e mentalizo os lugares lindos que posso ver e na pessoa melhor que posso ser quando tudo isso acabar.
Mas para isso é preciso respirar bem fundo, não se deixar levar pela maldade alheia, ser forte mesmo, talvez como nunca tenha sido necessário ser.
É quando vejo cenas como a que vi do capitão na nossa loja e compreendo que todos nós temos nossos limites que queremos mesmo no fundo é ser aplaudidos, respeitados, amados.
E ainda fico mais firme no meu pensamento de que o que vale é ser inteiro, verdadeiro, honesto, integro e que embora nem todos sejam assim, é necessário não se deixar corromper.
Sai de mim elétrons, e quem é "cipó" sabe que é necessário segurar na mão de Deus e "ir".
Sim, sou muito esquisita e isso também acredito que não vai mudar não é isso que está atrapalhando e nem é isso que eu quero, mas pra falar a verdade tudo que eu queria agora era comer uma boa "Coxinha de frango".
Do prazer das coisas simples e fáceis da vida estou cada vez melhor, olhar o mar, telefonar para a família, ter "miojos" guardados e compartilhar, ah compartilhar uma das lições mais preciosas e presentes na minha vida agora.
Aqui estou perdendo um monte de frescuras que eu tinha, minhas manias de repente se foram, ufa, ainda bem, mas percebo que novas manias estão surgindo.
Afinal viver nessa comunidade de que tudo se sabe, que de tudo se divide tem seus prazeres também.
Bom, chega de "enxer" vocês com estas palavras.
Um beijo para todos que eu amo, e aqueles que me amam, saibam que eu sinto uma saudade imensa e ímpar.

"E se tiver baqueada, vai baqueada mesmo".

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Primeiras impressões da vida de tripulante

Talvez eu vire escritora.
De tudo que estou vivendo aqui no navio talvez eu consiga descrever mas só um outro tripulante consiga compreender o significado de cada coisa que eu tente explicar.
As emoções são todas muito intensas, amor, amizade, saudade, carência, carinho seja qual ela for é delineada de uma maneira única .
Moramos, namoramos, passeamos no nosso lugar de trabalho, e embor em todas as funções trabalhamos muitos a grande maioria perde tempo com a vida alheia.
Talvez o que mais se aproxime aqui seria viver no B.B.B com a diferença de trabalhar no mínimo 12 horas por dia.
Desde que eu fiz esta escolha, trabalhar no navio, minha vida começou a mudar, e sem sombra de dúvidas, nunca mais serei a mesma pessoa.
É impressionante como ficar longe de tudo nessa louca realidade me faz amar ainda mais quem eu amo e querer ainda mais a vida minha vida, e ser quem sou melhor do que sempre, e uma força para ter o que quero é amar o que tenho.
Sim, meu cérebro fica louco e as vezes mistura inglês, italiano e português, sim eu sinto muita falta de cozinhar e dirigir, mas agora nessa vida multicultural tenho um mundo dentro de cinco minutos andando a pé, e sei que a comida, embora não do meu sabor predileto, estará pronto nos horários designados.
Ah eu tenho que falar sobre dormir, agora praticamente todo tempo que sobra é para dormir, dormir de uniforme pra poder aproveitar o tempo é uma coisa que eu jamais imaginei.
Comer um mc'donalds diferente em cada pais, experimentar novas comidas, andar a pé perceber na arquitetura da cidade a cultura das pessoas a sua forma de vida.
Nossa o quanto me sinto mais forte, mais segura, mais independente e isso é "amostra grátis" de tudo que tenho aprendido e crescido.
Agora eu tenho uma visão de Deus que eu jamais imaginei ter, e sobre isso jamais eu conseguiria escrever.
Ah e quando olho a imensidão do mar e lembro da minha casa flutuando lá e tudo mais, o resto das minhas palavras somem...
O meu tempo de internet está acabando e agora tenho que ir, meu desejo de feliz ano novo pleno de realizações e saúde tudo abençoado por Deus.
E meu maior desejo é que todos sejamos felizes como eu estou, se sentir inteiro como eu venho me sentindo não tem nada que nos deixa abater!

E assim é um pouco das primeiras impressões que tenho da vida de tripulante.... vediamo...
Beijomeliga eu to na Argentina!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Simbora marzão

Deixei para escrever na última hora possível, pra tentar ser mais fiel sobre tudo que estou sentindo sobre tudo que passei, minhas expectativas , tudo que estas letras conseguirem registrar.
O que estou sentindo?
Estou sentindo tudo, medo, alegria, insegurança, orgulho, força, fé, ansiedade, felicidade, tristeza e até saudades.
Desde que fiz essa escolha muitas coisas se passaram e eu até já registrei aqui boa parte, porém, já me sinto mais adulta e feliz pelas minhas escolhas.
Contei com apoio, mas também com desaprovação.
Acredito que já amadureci um pouco ao longo de todo o processo, e mesmo que sejam por apenas seis meses, desde que soube da minha aprovação, passei a aproveitar a vida de uma maneira que eu nunca tinha vivido, e principalmente amar de um jeito que talvez poucas pessoas  saibam, tá vai lá que eu não sou muito jeitosa com demonstrações de afeto.
Sou muito grata a Deus e a todos que de alguma forma colaboraram, com palavras, com dinheiro, com estímulos, e aqueles que invejaram, desestimularam minhas preces.
Poderia dizer sem sombra de dúvidas que este ano  foi difícil, entretanto, não poderia findar de forma tão incrível.
Sei que não será fácil, terá saudade, desafios de novas línguas a serem aprendidas, muito muito muito trabalho, mas tenho certeza que valerá a pena, aliás já está valendo.
Um mundo de oportunidades está entrando de vez na minha vida, e de maneira flutuante, ahahaha , adoooooro!
O que mais ouvi foi: "nossa você é doida mesmo" de parentes ao gerente da minha conta do banco, mais  pior  ou melhor , sei lá, é que vejo isto como um elogio.
Confesso que neste caminho muitas coisas se perderam, como minha compulsão por compras, algumas amizades, mas é tudo isto que deu e dará lugar a novas emoções, aprendizados, e os ganhos que realmente são e serão imensuráveis.
Abrir mão da casa, família, amigos, familiares, do carro, do cachorro, não está sendo a tarefa mais fácil que já fiz, mas quero tanto, que farei o melhor que conseguir.
Ainda assim, infinitamente mais coisas boas do que ruins.
Vejo tudo isso que estou vivendo como se fosse uma pintura do Picasso, dramático, belo, diferente, intenso, fazer esta análise seria audácia?
Ah como foi bom comer tudo que deu vontade, o tanto que deu vontade, amar sem medo, dar risadas, aproveitar cada segundo ao lado das pessoas queridas, e é disso que minha vida precisa mais, é na verdade o que o mundo precisa mais.
Amo meu lado camaleoa, e agora vou "dormir em um lugar e acordar em outro".
Cartas, beijos, abraços, sempre fizeram parte do meu repertório, mas se a alma e o coração estão abertos para este tipo de coisa e acontecimento, tudo flui de uma maneira tão mágica, tão grandiosa, que é impossível conseguir demonstrar tudo isto.
A vida passa rápido para nos prendermos a mesquinharias, frustrações, detalhes insignificantes, temos que tentar ser melhores, e eu posso não ter conseguido ser o que quero ser, mais acordo todos os dias com o pensamento de que hoje eu vou ser melhor do que ontem, e assim sigo, as vezes consigo, as vezes não.
Aqueles que me despedi, me abraçaram e desejaram sucesso, mais uma vez obrigada, a aqueles que não consegui me despedir pessoalmente, meus pedidos de desculpas e sintam meu abraço, e há aqueles que tanto faz.
E se algo trágico acontecer comigo neste percurso, por favor não chorem estou feliz, lutei muito para conseguir tudo, guardem boas lembranças, isto basta.
As vezes me pego pensando como será que voltarei...
E o que espero?
É encontrar respostas que há tempos procuro e não acho.
Então está chegando a hora de mais um sonho se realizar.
Simbora marzão!
Beijomeliga!





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Navegar é preciso"

Eu nunca imaginava que estaria assim hora dessas...
Há exatamente 15 dias atras minha vida resolveu por mim a dúvida que eu estava, se ia mesmo para o navio ou se me mudaria para São Paulo, então no dia 01 de outubro saiu minha data de embarque e também a dos exames médicos admissionais.
Gente a emoção que senti quando vi o título do email, "sua data de embarque foi confirmada", é indescritível, só quem está no processo que entende o quão grande é a importância.
Desde o dia que enviei meu currículo, foram seleções, treinamentos, e  muita, mais muita expectativa.
E eis que "meu filho nasceu" então, oito meses envolvida com uma história tão maluca, mágica, emocionante mesmo antes de iniciar.

Eu lutei muito para conseguir, lutei comigo mesma, lutei com os familiares, com os concorrentes de vaga, com duas novas línguas estrangeiras, mas consegui.
Data de embarque em 29/11/2013 no porto de Savona na Itália, e logo eu que sempre senti uma afinidade por este país, e o boi fala , "seu amor está lá na Itália".
E se estiver ótimo, mas não é por isso que eu fiz esta escolha, eu escolhi na verdade viajar, ver o mundo, não ter que ser arquiteta a todo custo, e ninguém imagina quanto deboche, preconceito e orgulho besta que vi, ouvi quando eu optei por este caminho.
Ah mais todo mundo tem uma formula mágica para nós vivermos a nossa vida, fico pensando, não bastava eu cuidar da minha e fulano cuidar da dele... Sugestões como concurso, montar escritório, voltar pra minha empresa, blá, blá, blá, desculpem pessoas mais eu tive que ligar o botão "foda-se".
Eu nunca acreditei que seres humanos foram criados por Deus para "cumprir o figurino", temos todos direito de fazer nossas escolhas, e elas não são mais dignas ou menos dignas por sermos arquitetos ou vendedores, há quem classifique pessoas assim, mais eu não.
Eu procuro o brilho na alma, e se para isso eu tiver que vender "coisas" no duty free do navio não acredito mesmo que serei inferior a ser uma arquiteta.
Eu sou arquiteta, independente de estar exercendo ou não, porque eu sou arquiteta todos os dias, em todos os lugares que eu vou, não sei parar de olhar para o teto, melhorar  todos os lugares que eu vou, e muito menos de suspirar quando vejo o que um colega de profissão foi capaz de fazer.
Meu Universo agora será totalmente diferente, e eu não estou aqui querendo convencer ninguém de que o meu caminho é o certo, é o "mais legal", apenas estou falando de mim, da minha vida do que quero...
Irei ver o luxo do navio, as boas propostas de aproveitamento de espaço da arquitetura de interiores, descerei em portos diferentes, países diferentes, terei uma imersão cultural que em outra ocasião eu não teria esta oportunidade, porque sou pobre, não posso simplesmente viajar, então vou trabalhar (diga-se de passagem muito cerca de 13 horas por dia) muito em prol de horas de folga, para ver ao vivo um pouco do que vejo nos livros, na internet, um pouco do que estudei, e claro também do que fantasiei.
E o melhor vou receber por isso, não terei que pagar comida, nem aluguel, e há ainda quem ache que eu fiz uma escolha ruim....?
Nunca pedi que me entendessem, mais exijo que me respeitem!
Tudo bem não é uma vida para qualquer pessoa, até mesmo porque cada ser vivo é de um jeito, e com certeza algumas pessoas não se adaptariam nem se fossem obrigadas, e talvez até eu que quero tanto posso não me adaptar.
O que eu não posso e não vou fazer é sentar minha "bunda gorda" em um escritório só porque estudei edificações, arquitetura, e já fiz casa cor, ao invés de ver o mar, ver as montanhas, as cidades, os prédios, os monumentos, as pessoas não brasileiras...
Eu sempre fui uma pessoa mais livre, agora isso veio com muita intensidade e dessa vez com uma diferença eu decidi que não vou recuar, não vou me amedrontar ao ponto de desistir.
Foi uma super conquista, não preciso que ninguém sinta orgulho, mais eu estudei muito, fiquei noites sem dormir, esperei muito para ir para o mundão, ou seria marzão? (risos)
Sinto algo sensacional desde o dia que recebi minha data, é um caminhão de emoções misturadas que já estão me transformando, quero aproveitar cada dia, ligar pra todo mundo que der vontade, ver todas pessoas queridas, comer minhas comidas preferidas, porque serão seis meses muito malucos, e longe da minha zona de conforto.
E Deus sabe o quanto eu pedi pra ser orientada para o caminho certo, para ser feliz, para fazer o que fosse melhor para todos envolvidos no meu processo mundo-vida-evolução...
Já tem alguns meses que sonho que estou dormindo no navio, trabalhando, acredito que é por querer demais, por ouvir muitas histórias, por de uma certa forma já estar lá no marzão de meu Deus.
Sou muito grata, isto também sinto, pela oportunidade, por esta possibilidade, e que tenho certeza que será de grande aprendizado e valia, e jamais vejo como se estivesse perdendo seis meses.
E o frio na barriga que já sinto, ai meu Deus!
Até saudade já sinto também, só de pensar em ficar longe das pessoas que amo.
Então está chegando a hora.
Obrigada a cada um que colaborou, direto ou indiretamente, para que eu chegasse onde estou, estou realmente agradecida e inigualavelmente feliz!
Eis que o ultimo teste foi feito, exames médicos realizados, resultados sendo aguardados ( pois eu não posso ter nada, nem coisas do tipo colesterol alterado) vamos ver se realmente serei aprovada, espero que sim, acredito que o Costa Fascinosa me verá em breve, junto com também mais alguns brasileiros que lá estarão (e isso é ótimo).

Agora para mim "navegar é preciso"!

domingo, 22 de setembro de 2013

Minha querida São Paulo

Todas as cores, texturas, espessuras.
Todas as formas de amar, de viver, de pensar.
Todas as religiões e formas de ver um Deus, muita proteção Divina e pouca fé.
Alguns trocam artesanato por comida.
Outros gratuitamente divulgam seu ideal de vida, veganos, vegetarianos, budistas.
Alguns sorriem, outros fumam, uma parte come.
Tem cego, surdo, mudo, cadeirante, e maioria de nós "andantes".
Baixo, alto, magro, gordo, bonitos e feios.
Todas as raças e também todas as nacionalidades, sotaques e idiomas, mostram nossa bela diversidade.
Missionários, visionários, ordinários, há de todos os tipos.
Ônibus, carro, motos e muitos pedestres.
Alguns trabalhando, outros se divertindo.
Enquanto alguns percebem a maioria transita.
Ricos, pobres, média classe.
Bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Encarnados e desencarnados.
Já estive aqui em tantas ocasiões, e o mesmo lugar já foi tão igual e tão diferente.
Aqui minha alma esquece os problemas e tudo é calma, sabedoria, transmutação.
Meu coração consegue bater compassado e descompassado ao mesmo tempo.
É também foi aqui que já dei muitas risadas mas também chorei.
Já vi o entardecer tantas vezes e também o amanhecer, hora com alegria hora com tristeza no olhar.
Me parece uma relação entre nós de outras vidas.
Somente aqui eu perco os sentidos e conjuntamente os sinto com mais sensibilidade, tato, olfato, paladar, visão e audição, as vezes desagradáveis, mais em sua maioria agradáveis.
Aqui sou mais feliz do que triste.
Aqui somente aqui, o que as vezes é parte de mim se torna inteira, me percebo, me encanto com o que vejo no espelho.
Sem dúvida é um caso de amor, paixão, admiração, é um pouco do que digo e faço para compreender minhas sensações.
Me fazes sentir, esperta, completa, capaz, forte, perspicaz, sagaz, talvez por isso torna esse elo ainda mais estreito.
És tu minha querida São Paulo, a única que consegue minha paz de espírito, minha integridade espiritual e corporal juntas.
Por toda esta tua capacidade de ser democrática, de sua liberdade de expressão do ser é que me torno ainda mais apaixonada.
Apenas aqui, sei que posso ser o que eu quiser, e meio que parafraseando, eu mais vôo do que tenho os pés no chão, e isso, principalmente pra esse momento, é tudo, que quero, que sinto, que desejo e que me explica.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mais uma da série: foi lindo

Então coisas improváveis acontecem comigo também, tão improváveis que nem meus loucos devaneios imaginariam tal acontecimento quanto mais tal desfecho.
Há quase um ano atrás eu conheci uma pessoa, mas eu namorava, não houve nada, senti que houve um certo interesse, apenas isso.
Algum tempo depois começamos a nos falar com mais frequência via internet (viva a tecnologia- tecnologia aproximando pessoas, as vezes afastando também, mais.....kkkkk) e era ele quem estava namorando desta vez.
A capital Paulistana nos proporcionou um encontro há quase três meses atrás, boa conversa, boa companhia, risadas, gestos que eu apreciei muito, e senti vontade de tê-lo ao meu lado.
Promessas, pedidos, desejos, também ocorreram ali, até um beijo roubado, só um!
Ele iria viajar, para um país inacreditável e perguntou o que eu queria, eu disse uma pedra, ele "uma pedra"? é de um lugar lindo, interessante só que tem que tirar uma foto.
Queria por tudo que eu fosse vê-lo, resgatar meus presentes, eu até disse que ia, mas não consegui cumprir minha palavra, poxa o cara estava namorando, então eu disse quando ficar solteiro me liga.
E assim aconteceu não muito tempo depois ele ficou solteiro me ligou, combinamos e eu fui ao seu encontro.
Deixei tudo ao cargo dele, o que íamos fazer, onde íamos nos divertir, comer, enfim, não para que eu pudesse me livrar da responsabilidade, mas como eu não o conhecia muito bem e sei da minha adaptabilidade prefiri que ele escolhesse.
Eu queria cozinhar para ele e não chegamos a um concensso.
Imaginei tantas coisas sobre ele, ele me mostrou um pouco do mundo dele, e enxerguei uma pessoa que tem um lado maluco, que gosta da natureza, passeios radicais, é muito inteligente e que entre outras coisas me encantaram.
Muitos dias me imaginei fazendo rapel com ele, tomando banho de cachoeira, com sorrisos, gestos, carinho e tudo mais que desse vontade.
Dias felizes, melhor referindo, nossos dias felizes e tão sonhados por nós dois chegaram, junto com imprevistos, carro quebrado, frio, chuva e algumas coisas dando errado e quebrando o encanto.
Não que eu seja a mulher destemida, mas não gosto muito de ficar sozinha esperando em um lugar estranho alguém que prometeu estar me esperando quando eu chegasse, é diferente de você saber que vai sozinha.
Me chatiei.
Mas tudo bem vamos lá, viriam mais alguns dias, eu respirei fundo e só o pedi que não me deixasse esperando de novo.
Ah chegou a hora do presente, e juro me surpreendi, uma fotografia linda dele com a pedra, com explicações do lugar que é incrível, histórico e minha pedra, ah gente aquela pedra.
Junto com a pedra vieram chocolates ,belga e africano, perfeitos, uma blusa que ele disse que o maniquim era "eu", e a blusa é linda a minha cara, se eu tivesse lá provavelmente eu a teria comprado.
Eu ainda sou do tipo boba, que gosta de coisas delicadas, de cuidado, carinho, coisas escritas a mão.
Fiquei tão feliz, e mais coisas passaram pela minha cabeça, bons sentimentos, e momentos inacreditáveis, vieram em seguida.
Saímos, bebemos, conversamos, namoramos, tudo lindo.
E em algum momento começamos a nos desentender, a nos perdermos, sabe quando um quer uma coisa e o outro não, então criancisse das duas partes, porém nem sei explicar direito o que aconteceu.
As coisas perderam um pouco o brilho, já não me sentia a vontade para tirar foto (coisa que amo principamente e bons momentos e lugares novos), já ficava incomodada na hora de escolher o que comer, o que vestir e o pior parecia que eu já não era mais tão espontânea, natural, e quando eu não sou eu geralmente não dá muito certo.
A tão linda cidade de Visconde de Mauá não nos viu juntos, não entendi direito o que houve, se já estava planejado, mais a frustação maior não foi não ir, foi não saber porque, homens que estiverem lendo isso, mulheres são "movidas a explicações".
Então tínhamos São Paulo no outro dia, quatro horas de viagem e nem uma palavra dele, eu só pensava, "tem algo errado, que será que eu fiz" ? Até hoje estou sem saber.
Chegamos ao hotel, comemos, tiramos um cochilo e era hora do teatro, uma correria porque era longe deixou o nosso ar ainda mais pesado.
A peça ilária, rimos o tempo todo, mais depois de tantas risadas o humor não o contaminou.
Eu então desisti.
Discutimos nem eu sei direito porque, mas foi aonde paramos para comer, ele disse que disse uma coisa e eu entendi outra, mas naquele momento tudo desmoronou, eu o vi partir, mesmo que ele um pouco depois ele estava ali frente a frente comigo de novo.
Fui embora, um bilhete de despedida que eu deixei, nem um beijo, um abraço, um muito obrigada com carinho houve, só aquele bilhete infeliz...
Eu estava chateada, decepcionada, e para não brigar e ficar com as boas lembranças decidi me retirar, me ausentar.
Não houve uma conversa consistente, não se conversa essas coisas por internet, e também ninguém deu o braço a torcer, um passo a frente para realmente resolver, e ficou o dito pelo não dito.
Eu acho que o mínimo seria uma despedida digna.
As vezes as coisas que acontecem que nos pegam desprevenidos nos mudam para sempre, tanta coisa aconteceu que eu nem voltei pra minha cidade, e cá estou na "solitária" São Paulo, sem data e vontade de voltar, para o que eu chamo de minha casa.
Eu  sei ele é doido, mais eu também o sou, não entendi e não sei se quero entender, mas o fato é que estou sentindo um vazio ruim, uma saudade que eu não sabia que eu sentiria, um arrependimento de coisas que não fiz mas que nem sei direito o que.
Talvez essa minha vontade de ter alguém ao meu lado me atrapalhe, pois são expectativas demais.
Talvez minha indecisão profissional também.
Mas ontem quando peguei a pedra e percebi que ela tinha um formato de coração, eu mesmo sem saber se ele percebeu, meu coração doeu, minha alma chorou.

Pareceu tudo novela mexicana, mas foi minha vida gente, e a tristeza se fez presente.
Foi ruim, principalmente o final da história, não que eu achasse que eu fosse me casar com ele, nada disso, mas achei que seria diferente, e só um tema lindo na minha vida.
É o Biquini Cavadão nunca mais será o mesmo, depois de tanto ouvi-lo com você.
E esta  foi mais uma história da minha da série, foi lindo!
E como não consigo me expressar mais, o que posso dizer é, obrigada lindo, era assim que eu o chamava.

domingo, 1 de setembro de 2013

Crônica de agradecimento

Eis que mais um ciclo maluco de minha vida se finaliza.
Ficam tantas coisas pra serem ditas, tantas lembranças para serem guardadas, tantos agradecimentos a Deus e a tantas pessoas que vai ser um texto difícil de compor de maneira que expresse pelo menos um pouco do que senti, do que eu aprendi.
Estamos tão acostumados a julgar as pessoas que antes de pensar, observar julgamos, e claro eu infelizmente ainda faço isso, é uma luta diária deixar de julgar.
Julguei sim antes de aceitar o convite pra vir para Morrinhos trabalhar na nova empresa deles por um tempo, mas a verdade é que inconscientemente temos o hábito de ver a vida alheia sobre a nossa ótica, grande erro.
Compreender e aceitar as pessoas do jeito que são sem um pré-conceito é uma das coisas mais difíceis na minha luta para me tornar um ser humano melhor, mas a consciência da importância tem me ajudado.
Pois bem, aceitei, vim trabalhar em uma empresa de crepe e tapioca, sem nunca ter feito nenhum dos dois, para ganhar pouco, e a minha função: faz tudo.
Aceitei porque achava que eu precisava romper com meu orgulho, porque poderia aprender novas coisas, porque estou "perdida" profissionalmente, porque ficaria mais perto de pessoas que amo, principalmente da minha afilhada que é o bebê mais lindo do mundo!
Tiveram outras coisas que me fizeram aceitar, como o conselho do Boi (meu melhor amigo), meu sexto sentido falando que eu tinha que aceitar, e também por superação, porque isso com certeza eu teria que ter para conseguir.
Preferi enxergar que seria um preparatório para o navio, se é que eu ainda vou, mas isso eu conto em um outro texto, e ainda receberia "uns trocados", ótimo "simbora."
Limpar chão, lavar louça, servir pessoas, fazer crepe, fazer tapioca, cortar carne, ralar mussarela, lixar chapa, foram algumas das minhas atividades nesse mês.
Trabalhei de segunda a segunda, com apenas algumas horas de folga, e isso é muito cansativo.
Uma carga horária nem tão alta, de oito a doze horas por dia, dependeu do dia, mas um serviço totalmente diferente do que eu estava acostumada a fazer, e nos primeiros dias um cansaço do tamanho do universo, mas do corpo e não do psicológico.
Senti na pele várias coisas que tinha ouvido falar de quem trabalha em uma cozinha, e sem dúvida meu respeito e admiração por essas pessoas aumentaram ainda mais.
Eu amo cozinhar e acredito que este trabalho pode influenciar em minhas decisões no futuro.
Dormir no chão e na sala, montar e desmontar a cama todo dia, fazer academia mas não poder correr, andar somente a pé, ficar em pé por muitas horas, entre outras coisas foi um pouco desta minha aventura.
Dissabor, quase nenhum, um trabalho que me deu 99% de satisfação e o restante de insatisfação.
O trabalho que foi menor remunerado que fiz até hoje, mais uma vida tão tranquila como poucas vezes eu tive, leveza, alegria na alma, prazer de trabalhar...
Ah e ficar perto da pequena Sofia, não tem nem como descrever, não tem dinheiro que pague, e não terá nada que suprirá minha saudade.
É foi ruim ficar longe do meu colchão, de algumas pessoas, do Joe, mas confesso também que em momento algum senti saudades da cidade que nasci, ah Goiânia, me desculpe por isso.
Meus sentimentos foram ótimos, minha alma se aquietou, embora minha mão, minhas unhas, meus cabelos estejam um desastre kkkkkkkkk.
Aprendi que, "tem gente que é mais doida que gato no saco", que "galinha que acompanha pato morre afogada" e que em muita das vezes somos "a inteligência pura".
Mas agora é hora de partir mais uma vez, de continuar a minha caminhada, pisar sem sentir o chão, é voar sem asas, é isso que quero para mim, sei que virão dias difíceis, de decisões importantes que mudarão meu destino para sempre, adiei até onde pude para tomá-las, mas a força que ganhei nesses dias e o fortalecimento também da minha fé, me deixam pronta para passar por isso.
A todos envolvidos no processo, aquele abraço de muito obrigada, pelos ensinamentos, pelos sorrisos, pelas conversas, e que Deus retribua tudo esse sentimento maravilhoso que está dentro de mim com realizações para vocês.
Não é um adeus, um até logo.
É uma crônica de agradecimento.
Obrigada a todos e todas, obrigada Pai.