A porteira do meu
prédio perguntou assim agora a pouco quando estava saindo para passear com meu
cachorro:
-Você gosta de
criança?
Eu respondi:
-Não sei...
Ela sorriu e disse:
“Engraçada essa sua
resposta”
E fui dar o meu
passeio, e fiquei pensativa, e na volta perguntei:
-Por quê?
Ela respondeu:
-É porque tem gente
que se incomoda com as crianças brincando aqui em baixo.
Nossa naquele
momento senti um alívio, que na hora nem entendi por que.
Daí eu disse a ela:
-Ah, as crianças
brincando aqui tem nada não, pelo menos para mim, elas vão brincar aonde?
Daí subi para casa.
E lembrei-me da
entrevista em que um ator global de 43 anos disse agora pouco:
“Eu não entendo
porque quando alguém me pergunta se eu tenho filhos e eu respondo que não, todo
mundo diz algo assim “tadinho”, “porque”,
com muito espanto como se a vida só fizesse sentido para quem tivesse filho” e
eu compartilho dele esse “desentendimento” do porque de tanta surpresa, nem
todo mundo vem nessa vida para ter filhos, ainda bem porque se não o mundo
teria que ser maior ainda...kkkkkk
Gente, e essa é uma
coisa, que intriga meus pensamentos, os modelos tradicionais de família
acreditam que só o seu “modus vivendi” é o que é adequado para a felicidade de
uma pessoa.
Na verdade eu não
sei se gosto de criança, eu nunca tive uma!
E outra nunca
convivi muito com crianças.
Agora vou ser tia,
e amo a ideia, mas ela será minha sobrinha, e minha responsabilidade está longe
de ser comparada com a que a mãe dela terá que ter, e mesmo sem saber se gosto
de criança,torno digo que estou muito feliz por isso, e só sei que me admira
muito a pureza que elas tem, a ingenuidade, o quanto se divertem com coisas
simples, o quanto não “precisam como nós de ser tão materialistas” e isso são coisas
que tento trazer ao máximo para a minha vida, porque é garantia de se viver
bem.
Então todo mundo me
acha estranha, aqui na minha cidade uma grande porcentagem das mulheres da
minha idade já estão casadas, com filhos, e é uma espécie de fenômeno por aqui
o “ato de se treinar as filhas para se
casarem lá pelos seus 25 anos , logo que se formarem”, e eu ainda não entendi
esse mistério, é uma capital que ainda tem um pensamento provinciano.
Não que eu queira
julgar essa atitude, mas quero que entendam as diferenças e a capacidade que as
mulheres hoje não terem que “se casar” para se realizarem, só que quero
respeito por eu ter praticamente 32 anos e estar completamente solteira.
Não existem fórmulas
para felicidade, realização pessoal, bom humor, leveza.
Sou defensora de
que cada um procure seus caminhos para viverem a vida do jeito que achar
correto.
Quando mais nova eu
dizia que nunca iria ter filhos e por isso sei do preconceito das pessoas, hoje
eu ainda não sei se vou ter, pois tenho um cachorro e acho que ele dá trabalho
demais, e claro que um cachorro é muito diferente de um filho, mas a questão é
de que eu tenho tantas coisas para realizar que sem um ser “dependente” de mim
é muito mais fácil, que acho ser legítimo o fato deu ser egoísta ao ponto de não
querer que isso ocorra na minha vida agora.
E sem dizer que,
ter filho para não ter tempo para ele, para a baba criar, para mim não serve,
sou meio “radical” em algumas coisas em relação à educação de uma pessoa, e
esse é mais um motivo para dificultar a maternidade para mim.
Não defendo produção
independente porque acredito que filho precisa de pai, independente de ele
estar junto ou não da mãe, ele precisa saber quem é o pai, e eu penso que se eu
tiver um filho de “chocadeira” como eu explicaria para ele tudo, e eu não poderia
evitar tanto sofrimento, sou egoísta, mas não posso ser egoísta ao ponto de
criar uma criança só para me satisfazer, e como fica essa criança depois?
Algumas pessoas vêm
ao mundo para fazer coisas que quem tem filho não faz pelas dificuldades, e sem
contar o fato de que somos espíritos com diversas vidas e acúmulo de experiências
e missões, e talvez por esse motivo também não tenham filhos.
Uma coisa eu posso
afirmar de coração e mente tranquilo, sou feliz com as escolhas que eu fiz, então
não sinta “pena de mim”, eu sou capaz de arcar com as consequências e algumas
irremediáveis, e irreparáveis, delas e estou ciente, porque até o que não deu
certo, serviu para me ensinar muitas coisas, e penso que a vida émuito mais do
que muita gente acha e faz, que é colocar
no porta retrato a imagem da “própria” família só para dar satisfação a um
modelo social que eu julgo ser completamente falido, e por esse motivo creio
que ainda terei no meu porta retrato a imagem da família que não é a minha
ainda , ou seja, meu pai minha mãe , meu irmão .... Essa é a família da minha mãe,
e por enquanto minha família também, mas se passarei ao “nível 2 de família”
honestamente ainda não sei, o que sei é que meio jargão, “mas cada um sabe a
dor e a delícia de ser o que é” mas é uma verdade universal para mim, e
resumindo eu não sei se gosto de criança, ao ponto de querer uma pra mim, mas
um dia saberei, crianças são lindas mas mais lindo ainda é quando ela chora, você
devolve-la, para a sua mãe ou o seu pai e ponto.



