segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Saudade é distância no tempo



O que é saudade para você?
Do que você sente saudade?
Daquele amor que se foi?
De um momento de glória?
Da sensação que aquele orgasmo lhe provocou?
Do dia da formatura?
Daqueles sonhos de recém-formada?
Da emoção do primeiro beijo?
Às vezes eu sinto saudade de tudo.
Às vezes não sinto saudade de nada.
Saudade é ausência e presença, e às vezes sentimos falta do que aconteceu, mas às vezes do que teria acontecido quando pensamos em alguma lembrança com a preposição SE.
E dói.
Pode também causar alívio.
É um sentimento grandioso, indescritível, impressionante.
Eu diria bem “brasileirado”, uma vez que não tem tradução para muitas línguas, é de se sentir não de se definir, isso sim.
Sinto falta também até do que poderia ter sido, porque ter sido isso ou aquilo nos livra de sensações desagradáveis principalmente do presente.
Ela pode ser de tanta coisa...
Saudade daquela viagem, daquelas conversas, daquele ideal de vida que se construiu.
Saudade daquele sorriso puro e despreocupado da infância.
Saudade do tempo que a preocupação era passar no vestibular.
Ah da delicadeza de escrever aquelas chocantes cartas e que nunca entregamos quando não jogadas fora e lida um tempo depois, causa um tipo de saudade tão específica, ou do momento, ou do alívio de termos ficados livres de tantas coisas que nem imaginávamos.
A verdade é que a saudade é algo que justifica sensações, emoções, cheiros, paisagens que um dia escolhemos consciente ou inconsciente, que mesmo que por uma fração de segundos não gostaríamos que aquele acontecimento não acabasse jamais.
E de maneira tão estranha e esplendida às vezes eu estou vivendo uma situação e já sei que terei saudades.
Para mim, pode é: saudade é distancia no tempo.
Uma das invenções humanas a meu ver criadas para matar essa distancia no tempo, foi a fotografia, fotografamos para lembrar o quão belo era aquele lugar, aquele beijo, aquela família, aquele amor, mas é fato que o que sentimos e vivenciamos não há nada que registre além de nós mesmos.
Canções, poemas, histórias inteiras tentam descrever esse incrível sentimento.
E que particularmente hoje assola minha alma.
Mas uma coisa é tão real que é impossível classificar.
Ai que saudade.
Dele.
Daquele lugar.
Daquele dia.
Daquele beijo.
Daquele dia em que pensávamos que íamos ter aquela conversa e nunca tivemos.
Do casamento que planejei e nunca realizei.
Das conversas que resolveriam nossas vidas, mas que nunca passaram de pensamentos, devaneios, meus, isso eu sei.
Ainda bem que daqui a pouco passa.
Graças a essas letras; passará mais rápido.

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