No final do ano
passado decidi junto com meu melhor amigo passar o ano novo na Chapada dos
Veadeiros, ele não conhecia, eu já fui com diversos grupos de pessoas, diversas
vezes e sou apaixonada pelo lugar, acredito que vai ser o lugar fora o que eu
moro, ou for morar, que eu irei, muitas vezes, digo isso porque eu odeio
repetir destino de viagem, até mesmo porque esse Mundão cheio de lugares tão lindos,
e minha real situação financeira não me permite “repetição de lugares”, mas a
Chapada, chamada assim intimamente por mim, esta eu tenho um caso de amor, lá é
como se eu me reinventasse e recarregasse.
Fizemos trilhas
mais longas, pois graças a Deus meu condicionamento físico dessa vez permitiu, e
no meio da primeira trilha percebi que precisava ficar em silencio, e passei
assim boa parte dos caminhos mais perto dos “estranhos” e conversei bem menos
do normalmente eu conversaria, pois já havia três anos que não ia lá, e eu
queria aproveitar cada córrego, cada árvore, pássaro, cachoeira, gente no
primeiro dia teve uma borboleta azul que enfeitou todo caminho de ida da
trilha, detalhe 8km, só para ir, e percebi também quase todo mundo do grupo
falando o tempo todo, e fiquei pensando, gente essas pessoas não estão nem
vendo direito onde estão ...
Senti-me orgulhosa
também pelo fato de não ter comprado cerveja para levar, bebi sim, mais bem
menos que o de costume, em 4 dias 5 latas de cerveja, e espumante na virada.
Eu gastei um tempo
para entender o que aconteceu comigo lá, e às vezes eu fiquei meio irritada,
discuti com o boi, mas só agora percebi que era o “eu antigo brigando com o eu
novo”.
Quem me conhece
sabe que não sou uma pessoa fácil de convivência, com relação a minha carreira
e meus relacionamentos amorosos então ai a coisa se complica mais ainda, mas
quem me conhece de verdade também sabe que estou a algum tempo procurando me
tornar uma pessoa melhor, que estou em processo de mudança, para ser mais
madura, mais centrada, menos estressada,
o que eu chamo e busco o fato de levar a
vida de uma maneira mais leve.
Tudo bem antes com
32 do que no caixão, pois desencarnada acredito ser mais dificil.
O fato é que transformações
e mudanças ocorrem gradativamente, necessitam de tempo, vivenciar as diferenças,
e muita entrega, mas o mais importante que percebo é centrar mais em si e
deixar para lá o que “todos querem que você seja, ou o que você faça”.
O ano de 2012 como
já contou alguns dos meus textos aqui, foi uma loucura, mas eu havia decidido
de que 2013 tudo seria diferente, está bem, tudo é muito, mas tudo que eu
conseguir, assim corrigindo.
E assim venho
fazendo, e tudo ficou ainda mais intenso quando fui demitida.
Sim pessoas eu fui
demitida, e não me sinto mal por isso, nem menos competente, e todo mundo com
aquele olhar de espanto “mas já?”, eu digo já.
É difícil explicar
direito o que aconteceu, e eu não me sinto na obrigação, e só quem está no
contexto, eu e meu ex chefe entendemos realmente e sem problemas, o que
aconteceu.
Mas uma eu coisa
digo a vocês, é que eu já estava pedindo a Deus que direcionasse meu caminho,
porque mesmo eu tendo me mudado de cidade, deixado minha empresa por este
referido emprego, eu ainda estava agoniada, e agora eu estou totalmente
tranquila, do tipo até aliviada, e coloco a cabeça no travesseiro e durmo
tranquilamente.
Mas tem uma coisa
que pode ser mais chocante ainda, e eu nem digo isso pra quase ninguém , é o
fato de que, eu não estou procurando emprego.
Acalmem-se eu não sou
louca, só um pouco doida.
Entendam, com meu
acerto paguei as minhas contas, não terá mais fatura de cartão de credito
nenhum no próximo mês, não estou devendo pessoas e banco o que restou foi o meu
carro parcelado, e diga-se de passagem, não quero comprar o meu próximo carro
parcelado, mas sabem o máximo que vai acontecer até eu me organizar e voltar a
ativa, é meu nome ir para o SPC, e eu
até tenho um tempo para organizar minha cabeça, que é de 03 meses quando o
veiculo pode ser apreendido por falta de pagamento , mas espero que a situação não
chegue a este ponto.
Eu tomei essa decisão
“drástica” vista pelos olhos dos juízes chamado “sociedade”, pelo simples motivo
de eu estar precisando de um tempo.
Tempo para
continuar minha transformação, para sentir a minha missão espiritual, para
ouvir o que Deus quer de mim, o que Ele reserva do que há de melhor para mim.
Passei muitos anos
da minha vida atropelando as coisas, desrespeitando a mim mesma, obedecendo ao
ritmo frenético de, ai formei tenho que trabalhar urgente, ai fui demitida que
vergonha ficar desempregada, ah preciso fazer um novo curso, e nunca parei para
ouvir calmamente minha alma e meu coração.
Com seis anos e
meio de formada, e cinco deles exercido com a formação que é de arquiteta e
urbanista, eu ainda não sei o que quero ser, não sei aonde eu quero morar, o
que sei é que quero ser do mundo, viver novas experiências, conhecer novas
pessoas e lugares, aumentar meu senso cultural, sair do meu “mundinho e ganhar
o mundão”.
Devo satisfações apenas
aos meus pais que ainda de alguma maneira me sustentam, fora isso, o que faço não
é problema de mais ninguém, mas, porém registro estas palavras para expressar o
quanto tem sido bom esse tempo, essa mudança, essa busca por uma realização do
que é verdadeiro da minha alma.
Não tem nenhum
lugar na Bíblia, ou na lei que determine tempo ou espaço para sermos felizes,
quem disse que eu tenho que ficar em Goiânia, mas quem disse também que eu
tenho que sair daqui?
Estou com uma paz
de espírito que nunca senti antes, e confesso que se talvez eu tivesse feito
isso antes, talvez hoje eu seria hoje uma pessoa muito melhor resolvida, mas
observem, não podemos viver de talvez, temos que escolher de maneira livre,
leve e irmos em busca do que acreditamos, não me arrependo do que eu fiz, mas
deveria ter me ouvido melhor, algo que a imaturidade proporcionou.
Estou apaixonada
pelo silencio, se soubesse do seu valor já estaria “o praticando” há muito mais
tempo.
Até levei currículo
para Universidades como candidata a professora já que estou finalizando minha
primeira pós-graduação, mas só aceitarei para o caso de ser chamada se eu
sentir que é esse o caminho.
E o fato de estar sem internet em casa está facilitando ainda mais esse processo.
Então vocês podem
se perguntar, “o que você está fazendo
nas 24 horas do seu dia”?
Ixi, tanta coisa,
que não sobra tempo, irônico isso não é mesmo, mas é verdade, estou estudando inglês
( porque eu estava totalmente enferrujada), estou lendo um livro espírita que ganhei,
estou lendo um livro de autoajuda, e nem ligo para quem tem preconceito com
isso, estou lendo um livro de negócios, começando a me preparar para estudar
para a prova de mestrado, estou dormindo um pouco mais, cozinhando as coisas
que eu gosto de comer, arrumando meu armário, reorganizando os meus backups dos
meus arquivos, trabalhando em um projeto de arquitetura de interiores com uma amiga arquiteta de Brasília,
meditando, pensando.... bom enfim entre outras coisas, e vocês realmente
acreditam que sobra tempo?
O que eu quero
dizer com isso tudo é que ouçam a vocês mesmos, e o resultado será fantástico,
e principalmente não me perturbem, pois eu não estou desesperada a procura de
emprego, está tudo bem comigo e isso é o
que importa, é chato não poder gastar no bar, só ir pra balada se eu for vip(
pois tudo assim é de graça), e é incrível pois nesse momento também que
descubro quem são as pessoas que realmente se preocupam comigo, que se importam
e que são amigos de verdade independente do nosso grau de parentesco na terra,
e uma ultima coisa posso afirmar sou muito grata a Deus ao universo, as pessoas
queridas, por poder passar por isso tudo...


